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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Menu Contos: Zumbi (Parte 06)

-Quem é você? O que está acontecendo aqui? Me solte!- David estava sentindo a cabeça doer. Tudo rodava.

-Mas que merda, hein? Tenta roubar o meu carro, pega minhas coisas e ainda quer se metidar a dar ordem, mané?

-Quem é você?

-Não te interessa, pau no cu. Pra você, pode ser apenas “mestre”. – Riu como uma hiena. O cara tinha um jeito tão ridículo de rir quanto de se vestir.

-Fica parada aí. Nem pense nisso. – Disse a outra voz atrás dele.

-O que foi Shirley? – O homem perguntou.

-Ela estava pensando em tentar alguma loucura. -Disse a mulher da voz rouca.

-Se ela fizer algo estranho, atire.

-Claro Don. -Respondeu a mulher atrás de David.

-Traga ela pra cá, Shirley. – Disse Don.

David Carlyle viu surgir uma mulher de cerca de quarenta anos. Ela vestia uma roupa de hippie, usava óculos escuros enormes, brincões exagerados, e tinha os cabelos grisalhos maltratados. Ela estava com um rifle de caça, apontado na nuca de Alice, que tinha as mãos amarradas nas costas com linha de pesca.
-David, você está bem? – Perguntou Alice, sempre preocupada com ele.

-Eu tô legal. E você? Eles te machucaram? -Perguntou aflito.

-Ainda não, amiguinho. Ainda não… – Interrompeu Don. – Ei cara, que roupa bizarra é essa? Você trabalha em frigorífico?  – Don estranhava o macacão branco de David.

-Eu… Eu roubei de um cara.

-Então você é um ladrãozinho de merda, hein?

-Me solta cara. Não temos a intenção de roubar nada. Me solte e a gente vai embora. – Disse David, tentando negociar com os estranhos.

-Ora, ora… Eu tenho uma idéia melhor, amiguinho. Que tal esta? Você morre aqui com um balaço na testa, e eu e minha namorada vamos nos divertir peladinhos aqui com a sua namoradinha.

-Que? – Assustou-se Alice.

-Ela é gostosa, né Don? Olha só esses peitões, Don. Eu sempre quis ter peitões assim. Por que você nunca pagou para eu colocar peitões assim, Don? – Perguntava a mulher da voz rouca.

-São peitões fenomenais mesmo. Shirley, sabe o que eu estou pensando?

-O que, Don?

-Estou pensando em deixar o cara amarrado ali no cantinho, pra ver a gente comer a namoradinha dele. Que tal?

-Nossa, Don. Estou ficando molhada só de imaginar isso!

-Vem cá, meu amigo. – Disse Don, indo para trás da cadeira e puxando a mesma até o canto do chalé.  Agora David estava a cerca de três metros de onde a mulher de trajes hippies apontava a espingarda para Alice.  O homem encostou a enxada na parede e foi lá pra frente.

-O que a gente faz, Don? – Perguntou a mulher.

-O que você quer fazer, Shirley?

-Eu quero tirar a roupa dessa gostosa, Don. Quero sentir o gosto que ela tem. – Disse a mulher.

-Desgraçados. Soltem a gente! Malucos! Filhos da puta! – David sentia um grande arrependimento por ter escolhido ir para o parque. Ao mesmo tempo que era vantagem por ser um lugar remoto, isso estava contra eles agora. David ficou em silêncio. Precisava bolar um plano. O homem ia tirando com cuidado a linha de pesca que prendia os braços de Alice para trás. A mulher, apontava a arma bem na cabeça dela.  Eles estavam a mercê de dois maníacos depravados. David reconheceu aquele padrão, os dois iriam usá-los, iriam torturá-los e nada do que pudessem fazer iria evitar o desfecho daquele horrível encontro, que invariavelmente terminaria com a morte dos dois.

Não parecia haver uma solução simples.Talvez a única saída fosse fazer o jogo deles.

-Ei Don!  – Gritou David, após algum tempo de silêncio.

-Que é, panaca?

-Você vai comer a minha gata e eu vou ficar só olhando?

-Isso aí, panaca.

-Poxa, eu tenho uma coisa enorme aqui que poderia animar a Shirley. – Disse David.

A tal da Shirley olhou para trás afoita.

-Você tem pau grande cara?

-Aí depende, né?

-Ele tem pau grande, Don! – Disse a tal da Shirley para o homem, que estava mais concentrado em desabotoar a blusa de Alice.

-Eu ouvi, porra! Não sou surdo. – Disse Don tirando o sutiã de Alice, revelando seus belos seios. Alice estava morrendo de vergonha, sentia como se estivessem abusando dela. Tinha vontade de chorar, uma raiva incontrolável. Mas ela sabia que qualquer descuido poderia levar a louca a puxar o gatilho. David aproveitou a deixa.

-Poxa Don, não seja sacana, cara. Você vai comer a minha mina e a sua vai ficar aí chupando dedo?

-Não enche, idiota.

-Ô Don… Ele tem razão, poxa. Tu vai comer essa piranha aí, e eu? – Disse ela, com a arma apontada para Alice.

-Você vai comer ela também. Qual o problema Shirley? Olha aí, olha que tesão de morena!

-Qual é, Don. A gente faz swing, cara. Tá de boa comer minha gata, cumpadi. – Disse David tentando uma cartada. Alice olhou pra ele assustada. Ela tinha uma expressão incrédula. David respondeu com o olhar.

-Pior que o pau dele é grandão e suuuper gostoso! – Disse Alice para a tal da Shirley.

-Ah, não, Don. Você vai soltar o cara ali.

-Qual é, Don? Tá com medo de que, cara? Você tá com vergonha do meu pau ser maior que o seu? É isso? – David sabia o risco de provocar o cara naquele ponto.

Don já estava bolinando os seios de Alice. A vontade dela era de vomitar, mas tentou se conter. A Shirley, uma mulher que parecia não muito equilibrada, ainda estava com a arma.

Don tirou a jaqueta de Alice e ela ficou sem a parte de cima da roupa.

-Calmaí… Shirley. Você vai ficar vestida? Tô vendo que você é bem tesuda.

-Ah… Que isso. – Riu sem graça a tal Shirley.

-Tira a roupa aí, Shirley.

-Ah… – Shirley estava hesitante.

-Tira, Tira… – David tentou puxar um coro.

-Tira, tira… – Alice acompanhou no coro, batendo palminhas.

-Ok. Segura aqui, Don. – Disse ela estendendo a arma para o sujeito. Ele segurou a arma, agora apontada na cara de David. Por um breve instante David pensou se fazer piada com o pau daquele maluco tinha sido uma boa ideia.

Shirley tirou o vestido por cima. Ela já estava sem calcinha e pelo tamanho do “matagal”, David viu que a mulher não só se vestia como hippie, mas nunca havia cogitado uma depilação. De fato ela não era mesmo de se jogar fora. Tinha uma cintura bem marcada e os seios eram pequenos, porém bonitos. Os seios pequenos com auréolas diminutas davam a ela uma aparência de mais jovem do que parecia quando vestida. Ela tinha pernas muito bonitas e uma bunda grande.

-Porra Shirley. Você é muito gostosa! – Disse David olhando para a mulher. Ela se virou para Don:

-Pô, Don. Vamos soltar o cara. Ele tá curtindo a parada…

-Não! Ele fica ali. Eu vou comer as duas. – Don estava irredutível. -Vai! Abre a calça dela! – Disse para Shirley.

A mulher obedeceu, e com as mãos macias, deslizou pelo corpo de Alice, beijando-lhe as costas. Ela agora começava a desabotoar a calça de Alice. Alice estava tensa. Toda contraída.

Don estava com a arma. Ele estava de costas para David, apenas curtindo o visual das duas mulheres à sua frente. Don começou a se animar.

-Come ela, amor. – Gritou David para Alice.

Alice entendeu. Ela virou-se de frente para Shirley e segurou suas mãos, impedindo que abrisse sua calça. Alice abriu os braços de Shirley e começou a beijar os seios pequenos da mulher. Shirley deitou a cabeça para trás, delirando de tesão. Alice passava a língua nos mamilos daquela mulher, enrijecendo-os. Shirley gemia de prazer.

As duas começaram a se beijar. O clima esquentou.

-Vai ficar só olhando mesmo? – Perguntou Alice com cara de safada.

Don não conseguiu se conter e começou a tirar a roupa, empolgadão. Ele colocou a espingarda no chão e tirou os óculos, boné, a camisa, desabotoou a calça, tirou as botas. Ficou só de cueca.

-Meninas olha só o que o Don tem pra vocês! – Disse apontando um enorme volume na cueca.

-Quem você quer que chupe, Don? A minha ou a sua? – Perguntou David lá atrás, acorrentado à cadeira.

-Hummm. As duas!

-Meninas, vocês ouviram o Don. Mandem ver! – Disse David.

Alice se aproximou, sensualmente. Don sentou no chão de madeira da cabana. Era um cômodo vazio, sem janelas, parecia mais um depósito ou algo assim. Não havia um móvel sequer. Nem tapete nem nada. A luz entrava por telhas transparentes no teto da construção. Como já estava entardecendo, a luz que entrava era pouca, o que dava um tom mais erótico ao ambiente.

Alice se abaixou do lado de Don. Shirley foi do outro lado. Enquanto Shirley começou a baixar a cueca de  Don, revelando um pênis grande, ainda meia bomba e ligeiramente torto. Alice viu a grande chance deles. Ela empurrou Shirley sobre Don e os dois caíram para trás. Alice saltou sobre a espingarda e apontou na cara de Don.

-Parado aí! Filho da puta!

-Sua idiota. – Disse Don olhando para Shirley.

-Você que estava com a arma, seu burro!

Don tentou levantar e Alice disparou ao lado dele. Agora Shirley gritava descontroladamente com as mãos na cabeça.

-Não me mata, não me mata!

-Maldita. – Grunhiu Don.

-Parados aí. Senão eu vou fazer buracos em vocês!

Alice foi até a cadeira onde estava David. Ela viu que ele estava acorrentado e a corrente estava presa com um cadeado.

-Cadê a chave do cadeado? – Perguntou para Shirley. A mulher apenas olhou para Don.

-Você ouviu, babaca pervertido. Cadê a porra da chave do cadeado?

-Tá aqui no bolso da minha calça. Vem pegar. – Disse don dando tapinhas no chão, ao lado da calça dele. Alice atirou novamente. Desta vez o buraco no chão foi bem perto da perna de Don.

-Porra!

-Eu tô falando sério, seu escroto!

Don assentiu com  a cabeça. Pegou a calça enfiou a mão no bolso e jogou a chave para Alice. A chave caiu nos pés dela.

Alice abaixou-se com a arma apontada para os dois. Em seguida, abriu o cadeado e soltou David.

David Carlyle não hesitou. Foi até a parede, pegou a enxada e desferiu um único golpe na cara do sujeito, que caiu estatelado no chão.

-Malditoooooo! – Gritava Shirley, nua, abraçada ao homem desacordado.

-Don, fala comigo. Don! Donzinho… – Shirley estava desesperada.

-Vem, vamos embora. Me dá a arma aqui. – Disse David para Alice. Ela pegou as roupas e vestiu-se rapidamente.

Os dois saíram deixando Shirley e Don na cabana da administração. David quando saiu, viu uma placa ao lado da porta e percebeu que aquela era a cabana de “materiais e ferramentas”, que ficava na beira do lago. Isso explicava porque não havia janelas.

Alice travou a porta com as correntes.

- Vem, vamos, por aqui. – Disse David. Eles voltaram até o carro. Alice estava muda.

-O que foi?

-Nada… è que… Me senti mal com tudo aquilo. Você vai pensar que sou uma vadia.

-Ah, Alice. Não… Que isso. Olha, era nossa única saída. Somos sobreviventes. Vem, me dá um abraço.

Alice abraçou David com força. Um abraço misto de pavor, medo e sofrimento.  Eles ficaram abraçados por um longo tempo na beira do lago. David podia sentir o coração da moça em disparada. Ela sentia-se desamparada.

-Está melhor? – Perguntou David.

Alice fez sinal positivo com a cabeça. Ela tinha os olhos vermelhos.

Eles chegaram até o carro e pegaram os mantimentos, barraca e etc.

-Acho que temos que seguir aqui nesta trilhazinha. Veja como ela sobe na direção da montanha.

-Bem, vamos em frente.  – Disse ele.

David e Alice percorreram um longo trecho, contornando pedras, atravessando matagais e cruzando pequenos cursos d´água.

Avançaram pela encosta, chegando ao sopé da montanha.

-Ah, não. Olha só isso! – Gritou Alice, apontando para a frente.

David que vinha distraído, se assustou e quando viu, cerca de cinqüenta metros mais acima estava uma linda cabana de madeira.

-Ah, tá de sacanagem que eu carreguei esta merda aqui atôa! -Disse ele deixando cair o embrulho a pesada barraca de camping.

-Bom, se você quiser, pode ficar com a barraca, pois eu vou dormir naquela casinha! – Disse Alice, correndo para a construção.

-Calma! Vamos ver se está tudo nos conformes primeiro.

David correu até a cabana com o rifle. Ele abriu a porta e estava vazia. Era uma cabana pequena, toda de madeira, sem nenhum luxo.

-Acho que é a cabana de um caçador.

-Ou então do guarda-florestal, né?

-Acho que ele não vais e importar de emprestar pra nós. -Disse David colocando os mantimentos sobre a mesa.

-Veja tem lenha ali. Vamos acender a lareira?

-Claro. Será que tem fósforos aqui?

-Aqui está – disse ela, abrindo um pequeno armário azul, com a tinta descascada. Ali dentro havia não só fósforos como uma lata de querosene e uma lamparina.

-David, melhor fazermos isso rápido, afinal já está esfriando.

Ali só havia o ruído das aves, o vento nas copas das árvores e o cheiro da terra molhada. A cabana estava num pequeno platô, coberto de grama, do qual podiam avistar uma longa distância. O lago parecia imenso e majestoso, refletindo as cores do entardecer.

O lugar alto dava uma boa visão estratégica, e as rochas os abrigava do vento.

Acho que aqui é um bom lugar. – Ele disse olhando o horizonte.

Alice não falou nada apenas colocou a mão no ombro de David, enquanto tinha a visão perdida nas distantes nuvens alaranjadas. David enlaçou Alice com o braço e puxou-a para junto dele.

-Foi um bom dia.

-É verdade… – Ela disse. -…Mas a noite será melhor. – Alice tinha um sorriso sapeca no rosto, que rapidamente deu lugar a uma cara de vergonha.

-Hã? – Sorriu David.

-Não, não é isso, quero dizer… Estou falando da comida, David da comida!

-Ahã… Claro, da comida. Espero que seja mesmo uma boa… Comida.

-Seu bobo. – Ela disse indo para o interior da cabana.

David ficou ali, no alpendre da cabana, olhando o início da noite, que avançava rapidamente sobre o parque. Ele pensava na cidade, repleta de criaturas medonhas e cenários macabros. Ele havia saído de um horrendo pesadelo para o lugar de seus sonhos, longe dos mortos, longe das pessoas e suas mesquinharias. Ao lado de uma mulher maravilhosa.

David pensou em Don e Shirley, os detestáveis malucos de natureza pervertida. A esta hora Don já teria acordado da pancada. Os dois certamente estavam chutando a porta na tentativa de se soltar, mas David havia verificado que a porta era de madeira muito grossa, com dobradiças de aço. Eles não teriam a menor chance de fugir. Mal poderiam imaginar, mas talvez David tivesse salvado suas vidas ao trancá-los ali dentro. Eles não poderiam sair, mas os zumbis também não poderiam entrar.

David se perguntou se não teria sido mais justo dar cabo dos dois de uma vez. Mas matar aqueles dois não o tornaria melhor que eles. David já tinha sangue suficiente em suas mãos, e não se via como um assassino, apesar de já ter estourado miolos de vários zumbis. Ele também temia que Alice ficasse com uma má impressão dele, caso resolvesse matar aqueles dois. A imagem daquele homem estúpido bolinando Alice lhe provocava uma dor quase física no peito. A vontade que dava era de descer lá e esvaziar o rifle na cara do maldito.

Mas o que estava feito, estava feito e David não mudaria sua natureza. Ele não era um assassino.

O céu já se enfeitava com um manto negro de estrelas. Do alto da montanha ele podia ver as constelações. Com a ausência da luz da cidade, era possível ver estrelas que ele nunca tinha visto até então. O único inconveniente era o vento frio, cortante, que soprava lá em cima.

Alice sentou-se ao lado dele.

- Ei David. Adivinha só o que eu tenho aqui?

-Sei lá.

-Tchã! – Alice tirou de trás das costas uma garrafa de vinho e dois copos.

-Uau. Você achou isso aí na cabana? – Perguntou.

-Não, o vinho eu peguei na venda hoje cedo, e os copos, bem, eles estavam aqui, mas são tulipas de cerveja, né?

-Ah, o que importa é que dá pra beber. Além do mais, por que razão um caçador teria taças de vinho, né?

Alice achou graça.

-Só tem um problema, David. Abrir é com você. E não tem abridor.

-Puuuts. – Ele gemeu. David sabia que havia apenas duas opções, uma seria furar a rolha com alguma coisa para permitir a passagem do ar e então empurrar a rolha para dentro, ou então quebrar a boca da garrafa com um único golpe. Só que isso poderia introduzir cacos na bebida e aquilo era perigoso.

-Ah, calmaí. Deixa eu pensar. – Disse ele, examinando a garrafa.

-Bom, tenta aí, vou voltar lá pro macarrão com salsicha e palmito.  -Alice voltou para o interior da cabana.

David levantou-se e foi até a caixa de pesca, em busca de alguma ferramenta que permitisse furar a rolha. Por sorte, assim que abriu a caixa de instrumentos de pescaria se deparou com um canivete suíço, daqueles cheios de funções, que incluía um belo saca-rolhas.

David abriu a garrafa e tomou um gole do vinho. Era maravilhoso. Olhou o rótulo, tratava-se de um Eyrie Vineyards, South Block Pinot Noir. Não dava pra ver a safra, pois o rotulo estava manchado. Era um vinho sensacional, porém, infelizmente, David Carlyle não entendia nada de vinho e não tinha como saber que estava se deleitando com um vinho que é um modelo de delicadeza e moderação, um vinho norte-americano, produzido no Oregon, no vale de Willamette, e que é considerado por especialistas um dos únicos vinhos do mundo feitos com a Pinot Noir que supera praticamente todos os similares, produzidos na Borgonha.

Alice surgiu na porta da cabana.

-E aí?

-Consegui abrir. Prova só. -Disse ele oferecendo o copo para a moça.

-Nossa.

-Poesia líquida.

-È forte, mas é muito bom. -Ela disse, pegando o copo e indo pra dentro.

David foi atrás.

O interior da cabana estava quentinho, a lareira era um método eficiente de aquecer o ambiente.

Alice tinha colocado os pratos na mesa e pegava a travessa de molho, que estava apoiada numa grelha sobre a lareira.

-Até que a cabaninha do maluco é legal, né?

-Aconchegante. – Ela disse, enquanto colocava o macarrão no prato de David.

Os dois brindaram com tulipas daquele vinho caro.

-Tim-tim.

-A nós! – Disse David olhando fixamente nos olhos de Alice.

-Que se dane o mundo!

Os dois tomaram um gole e comeram um pouco.

-Diga, Alice. Você viu como foi a invasão no acampamento?

-Eu estava presa. Meu pai mandou me prender porque eu te salvei, aquele idiota.

-Não quero falar mal do seu pai. Ele fez o que achava que era o certo.

-Não, não. Está tudo bem. Ele é um idiota, eu sei. Ele controla aquelas pessoas com mãos de ferro. Matou vários para impor o regime de medo. E ele nem é meu pai de verdade.

-Não?

-Não. Ele era amigo do meu pai biológico. Ele era alpinista. Certa vez ele viajou e nunca mais voltou. O Reverendo – o apelido dele é este porque ele era pastor numa igreja da vizinhança – cuidou de mim.

-Ah. Entendo. E sua mãe?

-Ela morreu de câncer cerebral quando eu tinha três anos.

-Nossa. Que barra. E como você aprendeu a atirar tão bem? – Perguntou David, tentando levantar o clima da conversa. Ele notou que falar sobre sua mãe perturbava Alice.

-Eu tentei entrar para a polícia. Fiz exames preparatórios, academia, etc. Mas antes que me chamassem, entrei num clube de caça. Aprendi a atirar com caçadores. Então, deu esta merda toda, o mundo enlouqueceu. Tudo virou de cabeça para baixo.

Eu só queria ajudar aquelas pessoas da vizinhança. Eram os únicos que eu tinha. – Disse ela com um olhar fixo no vinho.

-Bom, pelo menos temos o Dire Straits! – Disse David, sacando o CD, que brilhou sob a luz da fogueira atrás deles.

Alice riu. Aquele cara tinha o dom de fazer com que ela se sentisse melhor.

Minutos depois, os eles estavam numa conversa animada sobre rock clássico. David contava pra ela sobre seus planos de ser vocalista de uma banda de rock. Eles discutiam sobre discos, bandas, shows, etc.

Enquanto David falava animadamente de seus planos, marcas de guitarra e etc, Alice se perguntava o que naquele jovem a atraía tanto. Ele era dotado de uma certa inocência e sensualidade viril que mexia com ela de uma forma como nenhum outro homem havia feito antes.

A primeira garrafa havia acabado e eles estavam no final de segunda garrafa – esta de uma qualidade bem inferior, diga-se, mas que à aquela altura, já não fazia a menor diferença.

Os dois estavam meio embriagados e David finalmente tomou coragem e beijou Alice.

Foi inicialmente um beijo cálido que encorpou com o tempo, tornando-se um furacão de volúpia e desejo.

Após o beijo, os dois se entreolharam, meio sem graça.

-Nossa… – Ela disse.

-O que foi isso?

-Acho que foi o vinho…

-Eu sempre quis fazer isso.

-Eu… Também.

-Sabe, não sei se você notou, mas só tem uma cama aqui…

-E? – Alice disse sorrindo maliciosamente.

-E… Bem, eu estava pensando que você podia dormir lá fora, com os ursos… – Riu David, pegando a moça pela cintura e beijando-lhe o pescoço.

-Hummm. Eu acho que tenho uma idéia melhor. -Ela gemeu.

-É mesmo? E o que seria?

-Vamos dormir juntosss. – Ela sussurrou no ouvindo de David, arrepiando-o.

David deitou a moça na cama e posicionou-se do lado dela. Os dois se beijaram novamente,  com carinho.  David foi tirando a roupa de Alice.

Minutos depois, eles estavam fazendo amor.

David estava deitado com Alice na cama. Ela brincava de enrolar os pelinhos de seu peito.

-Sabe, eu nunca tinha feito amor antes…

-Hã? Você era virgem? – Perguntou Alice incrédula.

-Não, não… Eu já tinha feito sexo… Mas nunca assim. Nunca tinha feito amor até conhecer você. – Disse ele. Alice não respondeu nada, apenas beijou David e se aconchegou em seus braços.

Acabaram dormindo juntos, nus, abraçados, perto do calor da lareira. Lá fora, o vento e as aves da noite faziam o espetáculo, anunciando o preguiçoso raiar do dia.



Um ruído despertou Alice. Era o som estranho de um rangido, ou rugido, ou grasnado, ou talvez grunhido. Um som estranho, incomum.

Quando Alice abriu os olhos, estava sozinha na cama. Ela levantou e olhou ao redor. A lareira havia apagado. E David não estava na cabana.

Ela se assustou.

Alice vestiu-se o mais rápido que pôde. Enfiou as botas e pegou a pistola na prateleira junto a porta da cabana.

Em silêncio, ela saiu da cabana com a arma em punho.

No meio da floresta, entre as árvores, ela viu um vulto passar cambaleando.


Alice tremia feito vara verde.
O vulto que ela tinha visto, ou pelo menos pensava ter visto, tinha passado ao longe, no meio da floresta, e em seguida, sumira no meio das folhagens.

Talvez tivesse sido um animal. Ou quem sabe, um dos dois malucos? Seria David?Alice estava morrendo de dor de cabeça, talvez culpa do vinho, talvez pelo nervoso.

A jovem teve medo de gritar e eventualmente atrair um morto que estivesse nas proximidades.


Ela segurou a arma com as duas mãos e saiu. Andou na direção que havia visto o vulto. As árvores iam fechando a passagem, com galhos e folhas cobrindo tudo. O caminho era de difícil acesso. Alice adentrou no meio da mata e caminhou decidida. De vez em quando, parava e olhava ao redor em busca de algum sinal. Mas não havia nada além de árvores, flores, aves, vento, raízes, mato, terra e pedras. Ela tentou olhar pelo chão, em busca de pegadas. Mas não havia rastros.

Numa dessas paradas, seus ouvidos captaram a alguma distância o som de um rio. Ela seguiu pela audição e à medida em que avançava, o som se tornava cada vez mais alto e claro.

Vários minutos depois, andando nas trilhas, Alice chegou no rio. Era um riacho veloz e gélido, que descia das montanhas em direção ao lago.

Alice viu que havia uma pegada impressa na terra macia e úmida perto do rio. Estava entre duas pedras. Era um pé humano.

Ela sentiu-se burra por não ter verificado com cuidado a cabana. Será que as roupas de David estavam lá? Será que o rifle estava com ele?

Alice vasculhou o rio com os olhos, em busca de algum sinal de quem teria passado por ali. Temeu que a pegada pudesse ser de um morto. O rio descia e sumia de vista em meio a uma elevação de pedras de cascalho, acumuladas ao longo de centenas de anos. Alice desceu pela mata, ladeando o rio. Quando chegou na elevação, viu que o rio descia na forma de uma cachoeira, com uma altura de oito, talvez nove metros e desaguava numa piscina cavada no rochedo. E dali o rio tornava a se formar, descendo a montanha.

Alice estava olhando a cachoeira e o som alto não permitiu que escutasse o que havia ao seu redor.

Subitamente ela viu alguma coisa na água lá em baixo. Era uma perna humana. Saindo de trás das pedras. O resto do corpo estava dentro da água. Era um corpo nu. Alice forçou os olhos tentando enxergar na distância.

-Ah, meu Deus! É o David! – Ela finalmente reconheceu.

Alice tentou descer pela mata, mas ela era muito fechada, com muitas plantas, troncos e raízes.

Alice correu e saltou da cachoeira.

Quando ela afundou na água geladíssima, sentiu o turbilhão atingir suas costas, jogando-a no fundo, contra as pedras. Ela nadou para a frente. Não consegua ver nada sob a água. A correnteza estava forte e a água fria demais. Tentou colocar o pé no chão, mas não dava pé.

Ela nadou para a borda e se agarrou nas pedras. A cachoeira empurrava seu corpo para o rio que se formava entre as pedras. Alice com dificuldade conseguiu sair do poço e levantou-se. Viu que já não tinha mais a arma na cintura. Tinha perdido na cachoeira.

Aflita, ela desceu até onde estava o corpo.

David estava todo torto e nu. Seu corpo repleto de machucados e arranhões estava emborcado com metade do torax dentro da água.

Alice correu e agarrou sua cabeça. Ela se apressou em tirá-lo da água.

-David! Fala comigo, David!- Ela estapeava o rosto de David, mas ele estava sem reação.

Alice agarrou o braço de David em busca de sentir o pulso. Ele estava frio, não respirava e Alice não sentiu nenhuma batida no coração daquele jovem.

-Porra, David. Não faz isso comigo! – Ela chorou abraçada ao corpo pálido, frio e inerte na cachoeira.

O vento gelado da cachoeira estava congelando seu corpo. Alice Puxou o corpo dele pela água até uma pequena praia de areia grossa de cascalho na margem.

Ela estendeu o corpo de David ali, de barriga para cima. Sentou-se ao lado dele, inconsolável. Ela estava exausta. Ofegante. O ar queimava em seus pulmões.

Alice ficou ali, olhando. O lugar transmitia uma paz. A água do rio descia em profusão. Os raios de sol filtravam-se através das folhas das árvores e atingiam os milhões de microscópicas gotas de água que estavam, no ar, desenhando belos arco-íris. Alice viu as flores e os insetos polinizando-as. Era um paraíso.

O corpo morto de David contrastava com o lugar idílico de modo brutal.

-Ah, David. O que você fez? – Ela falou com o morto. Sentia-se uma idiota de falar com um cadáver.

Alice ficou ali imaginando o que levaria aquele homem a levantar-se da cabana, sair sem vestir as roupas, andar pela floresta até um rio e se matar. Talvez ele só quisesse tomar um banho. Talvez aquela tenha sido uma morte acidental, pensou. Alice lembrou de sua noite de amor perfeita, poucas horas antes. Tantos sufocos, tantas aventuras, tantos riscos para morrer daquele jeito, bestamente,  numa cachoeira. Talvez tivesse mergulhado, batido a cabeça, desmaiado vítima da hipotermia e finalmente sucumbido à falta de ar.  Talvez, se ela tivesse chegado antes, quem sabe não teria conseguido salvá-lo da correnteza, que o jogou na cachoeira.

Ele não podia ser deixado ali. Ela tinha que dar um jeito, levar o corpo dele para algum lugar digno e enterrá-lo. Ali ele seria uma presa fácil para animais da floresta que profanariam seu corpo.

Alice levantou-se. Olhou ao redor. O caminho era bloqueado por grandes rochas, cobertas de limo. Atrás delas, as árvores e a mata densa formavam um paredão natural, quase intransponível.

-Puta merda… Como que eu vou tirar ele daqui? – Falou sozinha.

Alice saltou sobre as pedras para ver melhor. A cerca de dez metros, havia uma árvore caída. Era um tronco enorme atrás da pedra que ela estava. A árvore tinha caído sobre as outras, formando uma espécie de passarela pela floresta.

“Vai ter que ser por aqui”. Pensou.

Alice pegou o corpo de David no colo. Jogou-o nas costas e tentou andar para as pedras.

-Ung, que peso!

Alice deu alguns passos, mas seus pés vacilaram sobre as pedras molhadas. Ele era pesado demais para ela carregar.

Alice tornou a colocar David no chão. Depositou o corpo do jovem com cuidado sobre a pedra quente. O sol já brilhava forte no céu.

-David… Vou ter que enterrar você aqui. – Disse, desculpando-se com o defunto.

Ela lembrou-se da enxada. David havia deixado a enxada na cabana da administração do parque. Com ela, Alice tinha certeza que poderia cavar uma sepultura profunda o suficiente para que um lobo ou um urso não o desenterrasse para comer.

Sob aquele aspecto, o lugar em que David estava era eficaz, pois estava afastado da floresta e a dificuldade do acesso à aquele ponto tornariam improváveis de aparecer animais até que ela retornasse com a enxada.

Alice saltou da pedra sobre o tronco e correu sobre ele. Ela saltou no meio do matagal e escalou um barranco, agarrando-se em raízes expostas e pedras. Subiu pela floresta e correu sempre que pôde na direção da montanha. Ela sabia que aquele era um local de grande risco, e agora sem a arma, aquilo fazia com que ela fosse um alvo perfeito.

Enquanto corria pela mata, Alice teve uma sensação de estar sendo seguida. Subitamente ela parou e olhou ao redor. Mas não viu nada que lhe desse certeza que havia mesmo alguma coisa em seu encalço.

Ela tornou a correr. Minutos depois, chegava na cabana. Ela adentrou a cabana esbaforida. Só então viu que as roupas de David estavam lá, perto da lareira apagada.

Alice viu a arma no chão, perto da mesa. Ela abaixou-se, pegou o rifle e desceu a montanha correndo pelas trilhas, até chegar na entrada do parque.

Alice andou com cautela. O rifle nas mãos.

Estava tudo como eles haviam deixado. De longe ela viu o tal quartinho de ferramentas. Ainda estava trancado com as correntes.

Do lado da porta, caída no chão, estava a enxada.

Alice foi até lá. Pegou a enxada. Assim que ela pegou a enxada, um estrondo alto estourou na porta do quartinho.

-Socorro! Tira a gente daqui! Socorro!

-Estamos presos aqui! Quem está aí? Tem alguém aí? Pelo amor de Deus! – Era o tal Don e a mulher dele.

Alice ficou em silêncio.

-Eu sei que tem alguém aí. Estou vendo pela greta. Por favor! Não vamos fazer nada. Só queremos ir embora. Solta a gente! – Gritava Shirley, desesperada.

Alice teve vontade de soltá-los. Ela sentiu pena dos dois. Eles eram pirados, verdadeiros monstros. Mas é muito triste imaginar-se preso num lugar sem janelas, escuro, e ainda por cima sabendo que não há mais gente viva para te soltar.

Alice foi até a porta. Olhou o cadeado.

-Solta a gente porra! – Gritou Don.

Alice deu um passo para trás. Aquele homem lhe dava medo. Agora, sem David, ela seria uma presa fácil.

Então Alice desistiu. Pegou a enxada, jogou no ombro e correu de volta para a trilha. Ao longe ela ainda ouvia Don praguejando.

-Filhos da puta! Quando eu sair daqui eu vou matar vocês. Desgraçados malditos!

Alice correu o mais rápido que pôde pela trilha, até chegar na cabana. Quando chegou lá, ela estava esbaforida.

Pegou uma garrafa de água e bebeu sofregamente.Viu a jaqueta de couro que estava usando no dia anterior. Como sua roupa ainda estava úmida da cachoeira, ela resolveu vestir.

Após reunir as forças, Alice saiu da cabana, com a enxada no ombro e a espingarda pendurada no pescoço. Adentrou novamente a floresta. Caminhou entre as árvores, buscando ouvir o rugido da cachoeira. Andou cerca de vinte minutos em meio a selva até escutar o estrondo da água se chocando contra as pedras. Ela caminhou abrindo o mato até o alto da cachoeira. De lá podia ter uma bela vista do lugar. Alice olhou o lugar de onde pulou. Percebeu o quão sortuda ela tinha sido de não colidir com as pedras lá em baixo. Olhou em busca de David.

Mas não viu nada.

Ela achou aquilo estranho. Talvez não estivesse conseguindo enxergar direito. Talvez alguma das pedras grandes estivesse obliterando seu ângulo de visão. Alice voltou para a floresta e correu por entre as arvores até achar o barranco. Chegando no barranco, ela jogou lá em baixo o rifle. Depois lançou a enxada. Finalmente, agarrando-se nas raízes, desceu o mesmo.

Após recolher a enxada e o rifle, Alice se embrenhou no matagal, seguido o som. Após alguns minutos que pareciam não terminar, ela achou o tronco caído. Saltou sobre ele  e correu, até chegar nas pedras.

O corpo de David não estava mais lá. A mancha da água ainda estava na pedra, mas não havia sinal do corpo. Alice olhou bem ao redor ara se certificar que não estava enganada. Não estava. David tinha que estar ali.

Ela temeu que no tempo que levou até ir buscar a enxada para enterrá-lo tivesse sido longo demais, a ponto de algum urso o encontrar.

“Puta merda. E agora?” – Pensou.

Não havia realmente mais nada a fazer. Se um urso ou lobos tivessem encontrado o corpo dele, arrastariam para algum lugar onde ele estaria sendo servido como prato principal.

Alice ficou cabisbaixa. Fez uma oração para a alma de David.

Largou a enxada no alto da pedra, e voltou, pelo tronco, para a floresta.

Enquanto andava na mata, inconsolável, Alice pensava no que deveria fazer. Ela teria que voltar à cabana, reunir as coisas que ainda pudessem ser úteis e levar até o carro. Enfim, ela teria que sair com ele, abandonar o parque e partir em busca de algum refúgio de humanos. Embora ela soubesse atirar e fosse boa caçadora, Alice sabia que o país já não era mais um lugar tranquilo para uma pessoa sozinha. Sem a ajuda e a colaboração de outros sobreviventes, haveria pouco que se pudesse fazer para retardar sua própria morte.

Alice teve novamente a sensação de que estava sendo seguida.

Ela parou e olhou em volta. Não havia nada, como da outra vez.

Então ela retomou seu caminho para a cabana. Enquanto andava traçava planos mentais para sobreviver mais alguns dias. Talvez fosse necessário encher novamente as garrafas com água…

Um animal saltou na frente dela. Alice levou um susto, soltando um grito apavorante.

Era um lobo. Ele estava a cerca de cinco metros dela. Tinha o focinho cheio de sangue e os dentes caninos apontados pra ela. Os olhos amarelos eram injetados de perigo. O pêlo cinza era mesclado de marrom e eiriçava-se no dorso do animal.

-Shhhhh! Quietinho…- Ela fazia para o bicho, que rosnava baixinho olhando pra ela. Mas aquilo pouco adiantava.

O lobo estava se aproximando.

Alice deu um passo para trás e empunhou o rifle que estava pendurado em seu pescoço. Ela sabia que lobos nunca caçam sozinhos.  (continua...)

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