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domingo, 11 de maio de 2014

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CRENÇA


O sol frita a terra seca e rachada,  as árvores estão sem folhas e a pouca vida que resiste, caminha sem rumo.
O calor insuportável, provoca irritação no pequeno bando que caminha  buscando alguma carniça para devorar.  Este bando é formado por animais com formas humanas, que estão aprendendo duramente as regras da sobrevivência. Estes seres ainda não conhecem o amor, são movidos pelo instinto da sobrevivência.  De repente o céu se faz negro em plena metade do dia, os trovões estremessem  a  terra e os raios rasgam  as nuvens com uma fúria aterrorizante.  A chuva se faz dona da natureza,  varrendo toda a seca cruel que se abateu sobre a região. A água cai com força na forma liquida e sólida, ferindo assim a cabeça e as carcaças do pequeno bando.  Instintivamente a sobrevivência  emerge  do interior daqueles seres,  que utilizando suas últimas forças correm amedrontados, correm sem parar, buscando abrigo.  Depois de muito buscar, encontram uma caverna e assim aquele pequeno grupo de homens primitivos, podem descansar suas carcaças secas e famintas.  O bando é formado por quatro machos, duas fêmeas  e uma criança.  Entre os machos há um mais velho que comanda, dois jovens e um adolescente. Entre as fêmeas,  há uma adulta prenha e uma adolescente.
A criança  vive no bando como um fardo, que não caça e não reproduz.   No dia seguinte, o chefe do bando acorda cambaleando de fraqueza, estava a muito tempo sem alimentação; vai até a entrada da caverna e pode constatar que  a água tomou conta de tudo e mesmo assim continuava caindo de forma brutal. Olha a inundação desolado, pois não entendia bem o que estava acontecendo, num relance pode observar ao longe,  um animal boiando; é uma espécie de anta.  A alegria é  repassada ao bando através de urros, acordando a todos. O chefe do bando sinaliza com as mãos e todos os machos  vão em  busca do alimento. Com muito sacrifico conseguem  pegar o animal morto e voltarem  para a caverna. Tudo esta alagado e  a água forma uma correnteza, dificultando  assim a caminhada de volta para caverna com o alimento; o que antes era um caminho seco e rachado, agora é um rio corrente.
  Todos se reúnem em volta do animal (alimento) e alimentam-se, até que estejam cansados de tanto comer aquela carne morta. O bando pula, grita e dança em volta do animal, tentando extravasar a satisfação pela fome saciada.
  A chuva é implacável e permanece dias, semanas; gritando a todos os viventes que limpava as mazelas de antes e revolvia a terra para que a vida renascesse.  O bando passou todo o tempo dentro daquele local fundo e escuro, alimentando-se de animais  mortos que encontravam próximo da entrada da caverna.  O céu permanece negro por um longo período.  O grupo começa a feder, tamanha a sujeira da caverna. Há restos de animais em decomposição, fezes e muito mofo, devido a grande umidade das paredes.  A escuridão da gruta incomoda  e o bando passa a maior parte do tempo dormindo, até que um  dia, o menor do bando acorda e não escuta barulho de água, curioso vai até a entrada da caverna e  fica extasiado com tanta  beleza.  O céu tornou-se azul  e parecia acariciar sua cabeça fétida, a claridade do dia iluminava seus olhos remelentos, o chão úmido acariciava seus pés rachados, pelas rochas da caverna, o ar fresco batia em seu corpo nu causando uma sensação confortável de caricia, as arvores de antes,  secas e retorcidas,  agora possuíam pequenas folhas verdes que poderiam ser comidas.  Aquela criança primitiva, transborda sua felicidade  emitindo sons, assim como um canto de alegria. Seu canto é tão alto que acorda o chefe do bando.  Sem entender o que aconteceu, resolve acordar o grupo para que  escutem o barulho, que vinha de fora causando espanto e medo; todo o bando fica curioso e sorrateiramente  deslocam-se até a entrada  da caverna.  Todos ficam perplexos com tanta beleza fora da caverna.  A luz tomou conta de tudo.  O ar tornou-se agradável.  Tudo estava colorido e brilhante.  Imediatamente todos urram e pulam de alegria.  A  chuva  fecundou a terra para um novo ciclo de vida e a claridade iluminou fundo a alma daqueles seres tão primitivos. Naquele momento, há o recomeço do solo e de almas.   O chefe do bando, pode observar a uma certa distância da caverna, o pequeno do grupo,  dançando e gritando com os braços para o alto. Todo o grupo relaciona aquela  cena de dança e urro, com a grande mágica capaz de chamar a enorme bola de fogo de volta para o céu.  Todos correm na direção do pequeno e dançam juntos, urram juntos, pois a vida estava de volta trazendo algo novo para todos.  A união está de cara nova para com todos do grupo.  A partir daquele dia, o pequeno que antes havia sido desprezado por todos, passou a ser cuidado e tratado com respeito; ele podia trazer a bola de fogo de volta para o céu com  danças e  urros.  Assim é adquirida a primeira crença entre os homens primitivos; o bando passou a cuidar melhor dos pequenos que vieram depois, pois ficou  associado para os mais velhos, que os pequenos poderiam  agradar aos que estavam lá no alto azul.  No céu...       
Fim

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