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segunda-feira, 26 de maio de 2014

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ANIMAIS SIMBOLISMO E CRENÇA

Desde os primórdios o homem consegue ver nos animais um caráter mistico e um aspecto ligado ao divino e sagrado. Os mitos e lendas são recheados de animas mágicos ou com poderes especiais. Praticamente todas as culturas do mundo reverenciam e mistificam diversos animais. Hoje trago para vocês um apanhado dos animais e seus significados e simbologia nas muitas mitologias existentes.

O CORVO
A simbologia do corvo é, ao contrário da da águia, tipicamente européia... embora haja referências bastante antigas e importantes na mitologia dos índios norte-americanos.
Por sua cor negra, o corvo é associado à idéia de PRINCÍPIO (noite materna, trevas primigênias, terra fecundante...); por seu caráter aéreo, associado ao CEU, ao PODER CRIADOR E DEMIÚRGICO; às FORÇAS ESPIRITUAIS; por seu vôo, MENSAGEIRO. Por tudo isso, ele aparece na mitologia dos povos primitivos como um ser investido de extraordinária significação cósmica: tanto para os índios na América do Norte, quanto para os celtas, germanos e siberianos, ele é o grande civilizador e criador do mundo visível.
Um mito grego, segundo Pausânias (séc. II) afirma que o corvo era, inicialmente, uma ave branca. Colocada por Apolo como guardião de sua amante Coronis, ele se descuidou e a mulher, embora grávida, fugiu para trair o deus com Isquis. Irado, Apolo o castigou tornando-o preto.
Algo "curiosamente" muito semelhante aparece na Saga de Yelt, o heróico iniciador das civilizações indígenas norte-americanas. Segundo a lenda, Yetl transformou-se em corvo para conseguir para seu povo um pouco da água mantida sob a guarda dos deuses. Surpreendido na fuga, foi condenado à mudança de cor, do branco para o preto. Ainda assim, Yelt fugiu, sobrevoou o mundo, vomitou sobre ele a água roubada dos deuses e, assim, criou rios e lagos.
Outra lenda grega, também nos fala de uma condenação, desta vez pelo crime da desobediência: forçado a buscar água para uma cerimônia celebrada pela coletividade dos deuses, o corvo atrasou-se no caminho, para esperar o amadurecimento de uns figos cobiçados por ele. Como castigo, fora condenado a ficar sem água durante todo o verão... o que lhe valeu uma rouquidão que explica o crocitar dos corvos até hoje.
Aliás, apesar de os corvos habitarem regiões secas, é notável as inúmeras associações dele com a água. Talvez as mais comuns tratam de sua ligação com as tempestades: é sabido que os corvos recolhem-se sempre que há iminência de chuvas fortes; isso gerou a crença de que são capazes de prever tempestades. A observação de seu comportamento tornou-se, então, um bom fator de previsão meteorológica.
Por causa de seu vôo alto, o corvo foi, muitas vezes, visto como um mensageiro dos deuses. Inúmeras lendas, de diferentes partes do mundo, falam-nos de como um corvo orientou humanos em suas jornadas. Por exemplo: segundo uma tradição, foram corvos que orientaram os beócios rumo ao lugar em que deveriam fundar uma nova cidade – a Beócia. Teriam sido eles que, também, guiaram Alexandre, o Grande, até o templo de Júpiter Amon, no oásis de Siwa, no Egito... e que, lá, predisseram sua morte. O imperador japonês Jimmu, teria marchado para a guerra, no século VII, guiado por um corvo dourado. Um corvo era o mensageiro do Rei Marres, do Egito. Odin informava-se a respeito do que acontecia no mundo por intermédio de dois corvos: Huginn e Muninn: todos os dias eles sobrevoavam a terra e, depois, empoleiravam-se nos ombros do deus para lhe cochichar o que viram. Huginn e Muninn representam, portanto, a memória e o pensamento.
Uma derivação oriental interessante é aquela em que um corvo de três pernas aparece dentro de um disco solar. As três pernas correspondem ao trípode – símbolo solar: aurora/sol nascente, zênite/sol do meio-dia e ocaso/sol poente. É assim que aparece como emblema imperial chinês, significando a vida e atividade do imperador e, por extensão, o YANG.
Na poesia anglo-saxônica, o corvo é freqüentemente associado às batalhas. E há tanta semelhança entre as tradições celtas e germânicas que, sem dúvida, suas origens remontam a uma época em que as duas correntes étnicas ainda não haviam sofrido ramificações.
É interessante notar que muitas fábulas envolvem corvos e corujas como antagônicos. Certamente incorporam reminiscências muito antigas relacionadas à oposição dos corpos celestes: Lua (coruja) e Sol (corvo). Uma tradição grega afirma que os corvos jamais penetram a acrópole exatamente por causa disso: a rivalidade entre Apolo (Sol/corvo) e Atenas (Lua/coruja), obviamente uma derivação de lendas de contraposição dia-noite.
Na Europa Cristã, o corvo perde esta gigantesca valorização. Por sua associação pagã aos deuses, sem falar na sua cor negra e voz rouca, adquiriu uma simbologia sinistra e uma ligação com maus espíritos. Santo Ambrósio, por exemplo, exprobra o corvo por não haver retornado à arca quando Noé o soltou a inspecionar os efeitos do dilúvio. Lendas judaicas, maometanas e cristãs apresentam-no como desprezível e ímpio, por causa de seu regime alimentar de carniça. Falam de santos atormentados no deserto por demônios em forma de corvos e de bruxas que os cavalgavam. Shakespeare faz inúmeras menções ao corvo como ave mau-agourenta: acreditava-se que o esvoaçar crocitante de corvos sobre alguma casa onde houvesse alguém doente, sobretudo ao entardecer, era sinal de morte iminente. Esse misterioso relacionamento com a morte decorre do fato de a presença de corvos no céu indicarem, aos caçadores, a proximidade de carniça.
Apesar de toda propaganda negativa dos cristãos em relação ao corvo, ele nunca perdeu seus atributos místicos. Como o poder, a ele atribuído, de uma capacidade especial para predizer o futuro. A observação do hábito de os corvos devorem primeiro os olhos dos cadáveres associado à grande eficiência ocular dessa ave (capaz de localizar uma carniça a enormes distâncias) , levou à crença de que, se um cego tratasse os corvos com benevolência, poderiam recuperar a visão; quem comesse três corações de corvo reduzidos a cinzas, viraria um exímio atirador. Além disso, como enxergar longe é uma forma simbólica de se descrever o dom da clarividência ou antecipação do futuro, a ingestão de corações de corvos também podia dar às pessoas o poder profético – atribuído à essas aves. Essa reputação oracular subsiste até hoje em algumas ilhas britânicas. A expressão irlandesa "conhecimento de corvo", é uma figura de linguagem para indicar conhecimento e percepção de tudo.
No campo da medicina popular, há igualmente inúmeras atribuições aos corvos: segundo Plínio, os ovos de corvo são ingredientes de uma antiga magia homeopática grega. Já Ovídio refere-se, em sua Metamorphoses, à bruxa Medea aplicando uma mistura de antílope e cabeça de corvo que sobrevivera a nove gerações humanas, nas veias envelhecidas de Jasão para restituindo-lhe a juventude. Aliás, a longevidade sempre foi um dos atributos de todos os pássaros da família dos corvos.
Outra lenda fala-nos das capacidades fantásticas ao corvo: seus ovos servem para pintar cabelos grisalhos, dando-lhes novamente a coloração negra. Mas havia um cuidado especial: o "paciente" deveria manter a boca cheia de óleo para evitar que seus dentes também se escurecessem irremediavelmente.
Só com o desenvolvimento da alquimia, é que ele recupera alguns dos aspectos de sua simbologia primitiva: aqui o corvo é o nigredo ou estado inicial, como qualidade inerente à "primeira matéria" ou provocada pela divisão dos elementos (putrefactio). Dentro da simbologia alquímica, o corvo manteve uma certa representação alegórica da SOLIDÃO – o isolamento daquele que vive num plano superior aos demais.


O CISNE BRANCO
Em grande parte dos mitos e das culturas espalhadas por todo o mundo, o cisne branco é um animal associado à pureza e à luz, enquanto que o cisne negro se associa ao oculto e ao misterioso. O cisne é ainda um animal que simboliza a fidelidade, a origem da vida e dos seres humanos, alternando entre o elemento feminino fecundado ou o elemento masculino fecundador.
A simbologia do cisne branco enquanto ser de luz e pureza pode ter duas manifestações, uma solar e masculina e outra lunar e feminina. Quando assume as duas facetas, a solar e a lunar, torna-se num ser mágico e misterioso.
O cisne é em muitas tradições o símbolo da mulher e da virgem dos céus que em contato com a terra e com a água dá origem aos seres humanos. Uma antiga lenda conta que um caçador encontrou um dia três mulheres muito belas que se banhavam num lago e que não eram mais do que cisnes despidos das suas penugens. Ao esconder uma dessas coberturas, o caçador impediu que uma das mulheres pudesse voar e casou-se com ela.
A mulher-cisne deu-lhe muitos filhos e filhas antes de recuperar a sua plumagem e partir ao encontro dos outros cisnes.
Em outras tradições, como na Sibéria, o cisne é masculino e fecundador e por isso saudado com orações pelas mulheres que os avistam no princípio da primavera.
Na antiga Grécia, o cisne macho era o acompanhante permanente de Apolo, o deus da beleza, da música e da poesia, cujo carro celeste era puxado por cisnes.
No mito de Leda, o cisne tem também uma simbologia masculina já que Zeus se transforma em cisne para perseguir Leda, que lhe foge transformada em ganso, simbolicamente semelhante ao cisne fêmea.
No Oriente, o cisne é símbolo da música e da poesia, para além de representar a coragem, a nobreza, a prudência e a elegância. Na Índia, o cisne é montado pelo deus Brama, e simboliza a elevação espiritual.
Na tradição celta, os espíritos do outro mundo regressam ao mundo dos vivos sob a forma de cisne. São os cisnes também os responsáveis por trazer as crianças ao mundo em muitas tradições.
Os cisnes, enquanto casal, são um símbolo de fidelidade eterna, já que se unem para toda a vida e nunca substituem o companheiro morto. O canto dos cisnes é associado às juras de amor eterno e imortal.


A LEBRE
As lebres eram sagradas para muitas tradições antigas, porque elas estavam associadas com as Deusas da Lua e da Caça.
Existe um tabu britânico muito antigo concernente à caça da lebre, cujo desrespeito era punido por penas severas, penas que eram levantadas só na véspera de 1 de maio, data da caça ritual à lebre.
A rainha Boudicca ensina-nos o valor espiritual da lebre, pois para ela, a lebre era um animal totem. Libertava uma no início de uma batalha, mantinha outra para adivinhações e sacrificava uma terceira para a Deusa Andraste.
A mitologia chinesa, nos contam que, certa vez, quando o Buda estava com fome, uma lebre atirou-se ao fogo para alimentá-lo. Para recompensá-la, Buda, enviou sua alma a Lua. Lá, sob grande acácia (ou figueira), a lebre lunar esmaga em um almofariz mágico os ingredientes que compõe o elixir da imortalidade.
Essa associação da lebre com à Lua ampliou sua significação como símbolo sexual, associando-a à noção de fertilidade, prosperidade e abundância. Assim, no Camboja, o acasalamento e a multiplicação das lebres, faziam cair chuvas fertilizadoras. Carne de lebre também já foi prescrição para cura de infertilidade feminina.
Na teoria de Jung, tanto o coelho e a lebre podem simbolizar o arquétipo da mãe. Os arquétipos e as manifestações do inconsciente coletivo podem ser representados por três lebres que se movem no sentido horário que Jung denominou inconsciente/centro/self.


GOLFINHOS
O sentimento de parentesco entre humanos e golfinhos vem desde a milhares de anos atrás. Os cidadãos da Grécia Antiga honoravam os golfinhos como Deuses, e mantinham um santuário do que eles consideravam ser o Deus Golfinho. Os Maori do Pacifico Sul, tinham em conta os golfinhos como mensageiros dos Deuses. Estas e outras culturas celebravam rituais divinos que viam estar adjacentes aos golfinhos. Atualmente, estes mamíferos, já não se encontram elevados ao estado de Deuses, mas para muitas pessoas são considerados como "os humanos do mar". O simbolismo do golfinho provém diretamente da natureza de mamífero marinho amigo, brincalhão e inteligente. As mitologias grega, cretense e etrusca, em que os golfinhos carregam deuses, salvam heróis de se afogarem ou carregam almas para as Ilhas dos Abençoados, influenciaram seu simbolismo cristão. Foi um atributo das divindades gregas Poseidon (Netuno, na mitologia romana), Afrodite (Vênus), Eros (Cupido) e Deméter (Ceres). Dizia-se que Dioniso (Baco) havia transformado marinheiro bêbados e ímpios em golfinhos, e se transformou num deles para carregar adoradores de golfinhos cretenses para seu santário em Delfos.
E fugindo um pouco das mitologias, mas falando sobre os golfinhos, algumas curiosidades sobre:
- Eles são geralmente procurado para sessões de terapia, principalmente com crianças, nos EUA e na Europa.
- Algumas pesquisas reveladas pela BBC, terapias com golfinhos são eficazes contra a depressão, e outros traumas.
- Se alguém gosta da banda Guns N' Roses, perceberá que na música estranged, quando Axl se joga no mar, tentativa de suicídio, e toda ajuda que eram lhe dado, ele recusava, boias, cordas, etc. Os golfinhos aparecem, o rodeia, e o salva da morte.Pois os golfinhos são guias espirituais em diversas crenças.
- Alguns misticos afirmam, que tu sonhar com golfinho, simboliza que está em paz, que encontrou a paz de espirito.


O VEADO BRANCO
Veados brancos ocupam um lugar na mitologia de diversas culturas. Os povos celtas consideravam ser mensageiros do outro mundo, mas também desempenhou um papel importante em outras culturas, especialmente no Norte. A lenda diz que a criatura tem uma capacidade perene de fugir da captura, e que a busca do animal representa busca espiritual da humanidade. Ele também indicou que o tempo estava próximo para os cavaleiros do reino de prosseguir uma missão.
No cristianismo, o veado branco foi em parte responsável pela conversão do mártir São Eustáquio. Eustáquio teve uma visão de Cristo entre chifres do veado e foi dito que ele iria sofrer por Cristo.
Hoje, a filial húngara de Escoteiros usa o veado branco como um símbolo. O veado branco também é predominante na mitologia húngara, acreditava-se que um veado branco levou a Hunor irmãos e Magor a Cítia, uma ação que precedeu a formação do povo Huno. 

O BODE

Utilizado em sacrifícios religiosos em muitas tradições do mundo, o bode tinha na simbologia pagã um significado divino de libido, força primeira e fecundante. O ritual do sacrifício do bode na antiga Grécia está na origem da tragédia, que significa "canto do bode". Sacrificado nos rituais bíblicos do Antigo Testamento, o bode foi, nos tempos medievais, conotado com o demónio e a feitiçaria.
Em Israel, o bode era um dos animais preferencialmente escolhidos para expiar os pecados das tribos de Deus, concentrando-os simbolicamente na sua cabeça, e fazendo-os desaparecer pela sua morte em sacrifício, surgindo assim a figura e a expressão bode expiatório. Os bodes eram assim identificados com os homens ou com os deuses. Uma das festas religiosas mais antigas de Atenas, a Apaturia, era representada por um deus vestido com uma pele de bode preto. O bode era o animal por excelência sacrificado nas festas do deus Dionísio, sendo identificado nesse sentido com o próprio deus. Este ritual era chamado de Canto do Bode, tendo sido a palavra "tragédia" a dar origem a esta forma de arte cénica. Na mitologia grega, Dionísio transformou-se em bode na sua fuga para o Egito quando o Olimpo foi atacado por Tífon.
Em Roma, a divindade Mamuralia era também representada nas festividades dos idos de março por um homem vestido com uma pele de bode. As palavras capricho e Capricórnio resultam da raiz latina caper, que significa precisamente bode.
Apesar de mencionados na Bíblia e utilizados pelos Hebreus nos seus sacrifícios, os bodes foram depois utilizados pelas autoridades eclesiásticas cristãs da Idade Média como representações do diabo e do mal, talvez numa tentativa de erradicar a tradição do seu culto. O bode passou então a ser associado às práticas de bruxaria e à própria luxúria, tornando-se impuro e maléfico. Nas representações do Juízo Final, os bodes eram colocados à esquerda em manada significando os condenados. Eram também apresentados como a montada das bruxas. Apesar da condenação cristã medieval, o culto do bode não foi erradicado das tradições populares. No Mediterrâneo, existe a noção que o sangue de bode tem propriedades maravilhosas e é capaz de temperar o próprio ferro. Nas aldeias, o bode assume o papel de para-raios, que absorve tudo o que de mal pode acontecer deixando por isso tanto a aldeia como os seus habitantes a salvo. Na Escandinávia, ainda hoje se celebra o bode do Natal em palha o qual é sacrificado no fim do ano. 


O LOBO
O lobo sempre foi uma animal presente na mitologia, um ser lendário. No entanto, ao contrário dos animais que grande porte que povoaram a imaginação do ser humano, o lobo não tem a grandeza do elefante e nem o porte do leão. O que faz o homem admirar o lobo é a sua rebeldia que, ao contrário do cão, fez com que ele não fosse domesticado e por isso logo passou e ser considerado pelo homem com uma ameaça que sondava as criações e o próprio homem, nas estepes, nas montanhas geladas e na escuridão da floresta.
Nas línguas raiz está a origem de muitos termos atuais ligados ao lobo, em sânscrito chamava-se VRIKA, no persa VRAKA, em grego LYKOS ou LUKOS, no latim , LUPOS, em eslavo VULKII e em lituano VILKA. No entanto, no que se refere a significação e deificação de sua imagem, as culturas diferem muito, porém, a admiração ao lobo é universal da pré história até a nossa época, dos pictogramas e totens até a literatura, a música e o cinema atuais.


O Lobo na mitologia
Os lobos são mencionados na mitologia Hindu. No Harivamsa, Krishna, para convencer o povo de Vraja a migrar para Vrindavan, cria centenas de lobos de seus cabelos, que assustam os habitantes de Vraja, obrigand-os a fazer a viagem.  No Rig Veda, Rijrsava fica cego por seu pai como punição por ter dado 101 ovelhas de sua família para uma loba, que por sua vez pede ao Ashvins para restaurar sua visão. Bhima, filho voraz do deus Vayu, é descrito como Vrikodara, que significa "lobo- tolerado".
Na mitologia dos povos turcos e mongóis, o lobo é um animal reverenciado. Os povos xamânicos turcos acreditavam que eles eram descendentes de lobos. A lenda de Asena é um velho mito que diz como os povos turcos foram criados. No Norte da China uma pequena aldeia turca foi invadida por soldados chineses, mas um pequeno bebê foi deixado para trás. Uma velha loba com uma juba azul-celeste chamado Asena encontrou o bebê e cuidou dele, então a loba deu à luz e metade dos filhotes eram lobos, metade humana, desse nascimento, surgia o povo turco.
Também na mitologia turca acredita-se que um lobo cinzento mostrou aos turcos a saída de sua terra natal Ergenekon, o que lhes permitiu se espalhar e conquistar seus vizinhos. Na Turquia moderna este mito inspirou grupos de extrema-direita nacionalista conhecido como "Lobos Cinzentos". Na medicina mongol popular, comer os intestinos de um lobo é remédio para aliviar a indigestão crônica, enquanto a aspersão de alimentos com lobo em pó é remédio para curar hemorróidas.  Alguns mongóis acreditam que Gengis Khan foi o produto de uma união de um lobo azul e um cervo. Na mitologia Mongol se explica o hábito do lobo de matar as ovelhas, apontando a sua tradicional história da criação, nela se afirma que, quando Deus explicou ao lobo o que deve e não deve comer, disse ele que pode comer uma ovelha em mil. No entanto, o lobo entendeu mal a mensagem e interpretou como podendo  matar mil ovelhas e comer somente uma.
Na mitologia romana, um lobo foi responsável pela sobrevivência da infância dos fundadores de Roma, Rômulo e Remo. Os bebês gêmeos foram ordenados a serem mortos por seu tio-avô Amúlio. O servo mandou matá-los, no entanto, com pena dos pequenos colocou os dois nas margens do rio Tibre. O rio, que estava na cheia, se levantou e delicadamente levou o berço e os gêmeos a jusante, onde sob a proteção da divindade Tiberinus foram postos à margem onde seriam adotados por uma loba conhecida como Lupa na América, um animal sagrado para Marte.
Na Finlândia, ao contrário da raposa e do urso, o lobo sempre foi temido e odiado, sendo símbolo de destruição e desolação, na medida em que o próprio nome de lobo na língua finlandesa, susi, significa também " inútil" e “hukka” significa perdição e aniquilação. Enquanto o urso tem sido o animal sagrado dos finlandeses, os lobos sempre foram caçados e mortos sem piedade. O lobo sempre foi representado como predador implacável e malicioso, matando mais do que consegue comer.
Na mitologia Nórdica, este animal é representado por FENRIR, filho de Loki com a giganta Angrboda. É um lobo monstruoso que é acorrentado pelos deuses até o advento do Ragnarok, quando ele se soltará e causará grande devastação antes de devorar o próprio Odin.
Na Chechênia, os lobos são quase sempre retratados de uma forma positiva, um equivalente para a ideia de nação retratada como “Mãe Lobo”.
Clãs de lobos são muitas vezes equiparados aos teipes chechenos. O lobo para os chechenos não é só o animal nacional, mas também a incorporação nacional, e o lobo é frequentemente usado para mostrar o orgulho. É notável que a equação de "lobos = chechenos", também de certa forma se relaciona com o personagem da Chechênia, uma vez que reflete a forma como os chechenos se veem: inteligentes, organizados em clãs, Fieis, e corajosos.
A ligação do lobo com os chechenos vem do mito "fundador" da nação chechena. Nele é dito que os chechenos são descendentes de Turpalo-Noxchuo.
No Japão, os produtores de grãos adoravam os lobos em santuários e ofereciam comida deixada perto de suas tocas rogavam a esses animais a proteção de suas colheitas contra os javalis e veados. Talismãs e amuletos adornados com imagens de lobos foram pensados para proteger contra incêndios, doenças e outras calamidades e para trazer fertilidade para as comunidades agrárias e os casais que esperam por filhos. O povo Ainu acredita que eles nasceram da união de uma criatura semelhante a um lobo e uma deusa.
Na América, lobos eram geralmente reverenciado por tribos que sobreviveram através da caça, mas foram pouco adorados por aqueles que sobreviveram através da agricultura. Algumas tribos, como a Nunamiut do norte e noroeste do Alasca e os naskapi, respeitavam a habilidade do lobo na caça e tentaram imitá-lo. Outros veem o lobo como um guia. O Tanaina do Alasca acredita que os lobos eram homens transformados que os guiavam como irmãos.
Para os índios das planícies da América do Norte, o lobo representa o oeste, enquanto que para os Pawnee, representa o sudeste. De acordo com o mito da criação Pawnee, o lobo foi a primeira criatura a ter experiência da morte. O lobo estrela, enfurecido por não ter sido convidado para participar de um conselho sobre como a Terra deveria ser feita, enviou um lobo para roubar a bolsa das tempestades que vem do Oeste e que continha os primeiros seres humanos. Após serem libertados da bolsa, os humanos mataram o lobo, trazendo a morte para o mundo.
Em diversas culturas orais os Lobos foram retratados em histórias, algumas tão antigas que chegaram a perder o caráter místico e assustador e foram adaptadas aos contos infantis, quem nunca ouviu histórias de lobos como a do “Chapeuzinho Vermelho” e a dos “Três Porquinhos”.
Para as sociedades urbanas o lobo é uma figura distante, com pouca significação. No entanto, os povos que tem uma ligação íntima como esses animais traduzem bem o que ele representa: astúcia, força, inteligência, velocidade, coragem, organização com seus pares no ataque e na defesa e destruição e indiferença aos inimigos.


A SERPENTE
Há poucos animais no mundo tão ricos em significados quanto a serpente. Ofídio sagrado ou representação do mal, habitante dos pântanos, da lama, da turfa, rastejando nas terras profundas, príncipe dos meandros, silenciosa e sinuosa, ela surge dos confins mais obscuros do nosso inconsciente, cujos sonhos e fantasmas alimenta incessantemente, fazendo surgir, sucessivamente, angústias e desejos, atração ou repulsão.
Para a maioria dos povos, a serpente desempenha um papel extraordinariamente importante e bastante multiforme como símbolo; deve-se ressaltar sobretudo sua posição privilegiada no reino animal (locomove-se sobre a terra, não tem pernas, vive em tocas e sai de ovos como os pássaros), sua aparência fria, lisa e cambiante, sua picada venenosa, seu veneno - usado também como antídoto - e sua muda periódica.
Muitas vezes encontrada como rival do homem, também mostra-se como animal protetor,
guardiã das áreas sagradas ou do Reino dos Mortos, animal com alma, símbolo sexual
(masculino, devido a sua forma fálica e, feminino, devido a seu ventre) e símbolo da renovação permanente (em razão da troca da pele).
Quando nos remontamos às mais longínquas lembranças da infância, a primeira serpente
que salta das recordações é aquele que fez tal desordem no paraíso que até hoje se fala nisso.
A serpente é um antigo deus da sabedoria no Médio Oriente e na região do mar Egeu, sendo, intuitivamente, um símbolo telúrico. No Egito, Rá e Áton ("aquele que termina ou aperfeiçoa") eram o mesmo deus. Áton o "oposto a Rá," foi associado com os animais da terra, incluindo a serpente.
Nehebkau ("aquele que se aproveita das almas") era o deus da serpente que guardava a entrada do mundo subterrâneo. Se nos afastarmos mais, tanto em termos geográficos como culturais
Na mitologia Grega a serpente também aparece como símbolo da sabedoria, (símbolo da medicina) com Asclepio.
Na distante extremidade ocidental do mundo da antiguidade, no jardim de Hespérides, uma outra serpente guardiã da árvore, Ladon, protege a fruta dourada.
Entretanto sob uma outra árvore da Iluminação, está o Buda sentado em posição de meditação. Quando uma tempestade se levantou, o rei poderoso da serpente levantou-se acima de sua caverna subterrânea e envolveu o Buda em sete espirais por sete dias, para não interromper o seu estado de meditação.
O Minoan ,grande divindade, pode manusear uma serpente em uma das mãos, talvez evocando seu papel como a fonte da sabedoria, melhor que seu papel como o senhor dos animais (Potnia theron), com um leopardo sob cada braço. Não por acaso mais tarde este infante Héracles, um herói limítrofe entre o velho e o mundo novo de Olympia, também manuseara duas serpentes que "o ameaçaram" em seu berço.
A haste que Moisés carrega é uma serpente. Quando a joga para a terra, ao comando de Yahweh, ela toma a forma de serpente. Se a identidade não puder ainda estar desobstruída o bastante, quando Moisés segura a serpente, esta se transforma em uma haste uma vez mais.
A imagem da serpente como a incorporação da sabedoria transmitida por Sophia é um emblema usado pelo gnosticismo, especialmente aquelas seitas mais ortodoxas caracterizadas como "Ofídeas", ("Homens Serpente"). A serpente ctónica é um dos animais associados com o culto de Mitras. O Basilisco, o famoso "rei das serpentes" com o bote da morte, foi atacado por uma serpente, Pliny e outros pensaram, do ovo ao adulto. Tais fantasias encheram o pensamento medieval.
Na Mitologia nórdica, Jormungand, a serpente de Midgard, abraça o mundo no abismo do oceano. Na mitologia de Daomé, na África ocidental, a serpente que suporta tudo em suas muitas espirais é nomeada Dan. Vishnu é posta a dormir no yoga Nidra, flutuando nas águas cósmicas na serpente Shesha.
Na Epopeia de Gilgamesh (de origem suméria), Gilgamesh mergulha no fundo das águas para recuperar a planta da vida. Mas quando decide descansar do seu trabalho, aparece uma serpente que come a planta. A serpente torna-se imortal, e Gilgamesh fica destinado a morrer.
Na Mitologia Yoruba, Oshumare é do mesmo modo uma serpente mítica regenerada serpente da visão. É também um símbolo da ressureição na Mitologia Maya, abastecendo alguns contextos culturais além do Atlântico favorecidos na pseudo arqueologia Maya. Gukumatz, a serpente emplumada é mais familiar sob seu nome Azteca, Quetzalcoatl.
A 'serpente falante' (nachash) no Jardim do Éden induziria conhecimento proibido, mas não é identificado com Satã no Livro do Génesis. Não há, contudo indicação no Génesis que a serpente era uma divindade em seu próprio direito, com exceção do fato que o Pentateuco não é de outra maneira abundante como animais falantes.
Mateus exortou seus ouvintes "fossem vocês consequentemente sábios como serpentes." (Mateus 10:16).
Embora tenha sido amaldiçoada por seu papel no Jardim, este não foi o fim da serpente, que continuou a ser venerada na religião popular de Judá e foi tolerada pela religião oficial até o tempo do rei Ezequias

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