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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

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PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS



No texto “Why am not a Christian and the faith of a racionalist”, o filósofo Bertrand Russel apresenta seus motivos para não ser religioso e procura refutar as argumentações que tentam a provar a existência de Deus, assim como negar a real necessidade de uma religião. Baseando-me nas argumentações definidas por ele, procuro neste texto explicitar a minha visão sobre cada questão, mostrando a minha opinião neste tema polêmico.

Argumento da Causa Primeira: Diz que tudo no Universo tem uma causa anterior. Se acompanharmos o caminho contrário, voltando do momento atual causa por causa até o primeiro momento chegaremos a Causa Primeira de tudo segundo a lógica determinista. Essa causa primeira seria Deus. Mas se tudo possui realmente uma causa anterior, Deus também deveria ser produto de uma causalidade. Se Deus criou o Universo, quem criou Deus?
Se puder existir algo sem causa (como Deus), a própria argumentação da Causa Primeira fica inválida, pois nada impediria que surgissem outros elementos no Universo (como vida, planetas ou dores de cabeça) sem causa.
Apesar disso, tanto teístas quanto ateístas concordam que alguma coisa sempre existiu. Ou Deus sempre existiu, ou o Universo sempre existiu. Não há explicações conclusivas de como esse Universo possa ter sempre existido eternamente, assim como Deus. Tentar fugir da lógica temporal é muito complicada na realidade humana, então qualquer opinião que se tenha, sempre irá cair-se em alguma crença incapaz de ser comprovada.
O ateísmo é uma crença, uma postura intencional, tanto quanto o teísmo. Independente da argumentação que procuremos trabalhar, sempre partiremos de alguns pressupostos que estão no campo das crenças pessoais, onde a partir deles serão trabalhadas as evidências que temos de como o mundo funciona. Qualquer que seja nossa posição quanto a essas questões, no teísmo ou ateísmo, precisamos ter uma certa dose de fé na realidade.

Argumento da lei natural: Popularizada por grandes gênios como Isaac Newton depois de perceber que no Universo existem leis naturais extremamente complexas  (como a gravidade e a inércia), passou-se a acreditar que Deus que definiu essas leis devido à nossa própria incapacidade de as entendermos precisamente.  Após as descobertas de Einstein na Física percebemos, no entanto, que muitas ditas leis naturais são na verdade convenções humanas. A Teoria da Relatividade mostram como essas supostas leis universais dependem de mais variáveis do que imaginamos. Isso não siginifica dizer que elas mudam de forma espontânea ou não possuem certa estabilidade, mas sim que a mesma lei pode se manifestar de maneiras diferentes de acordo com o contexto.
Mas considerando que Deus tenha outorgado essas leis da determinada maneira que são descritas, por que ele teria feito dessa forma, e não de maneira diferente? Porque ele quis que força fosse igual a massa multiplicado pela aceleração? Deveríamos aceitar na crença de que os desígnios de Deus nos serão desconhecidos? Novamente retornamos às crenças.
Ao falarmos de descobertas científicas, cabe ressaltar aqui que Ciência não é o mesmo que materialismo aplicado. Materialismo é uma corrente paradigmática amplamente aceita atualmente, mas não siginifica que é uma postura oficial do método científico. Portanto, sempre cuidado ao pensar na falsa dicotomia Ciência x Religião.

Argumento do Design: Muitas vezes como complementação ao anterior, este argumento se define como “tudo no mundo é feito da maneira para que pudéssemos viver nele, e se fosse diferente, não poderíamos estar aqui.” Essa argumentação é na verdade facilmente refutada, pois como Darwin demonstrou em “A Origem das Espécies”, a seleção natural que está atuando de forma a selecionar o ambiente justamente como ele é da forma que é hoje. Não é produto de uma força modeladora inteligente, mas do próprio “acaso” de variáveis ainda desconhecidas  que nos levou a configuração que possuímos hoje. Não faz sentido chamar qualquer variável desconhecida de Deus na falta de uma explicação melhor.

Argumento moral: Essa argumentação procura provar Deus a partir do moralismo. Apela-se, por exemplo, que não haveria o certo ou o errado se Deus não existisse. Antes de entrar nessa questão em particular, é essencial termos em mente que a moral é determinada tanto historicamente como espacialmente. A moral de hoje não é a mesma de ontem, nem será a de amanhã. Cada lugar e cada povo têm as suas crenças do que é certo ou do que é errado.
É considerado errado apontar algum erro de uma religião porque se acredita que religião faz homens virtuosos. Não faltam contestações, uma vez que houve inúmeras guerras religiosas, Inquisição e todos os dias verdadeiros crimes são cometidos em nome de Deus.
Teme-se que se não houver um Deus regulador as pessoas começariam a matar umas as outras, como se a moral não pudesse existir sem uma autoridade que a outorgasse. O que vemos na verdade é a existência de pessoas maravilhosas na religião que usam Deus para praticar atos de grande caridade e humanismo. Mas há também homens cruéis dentro das religiões, que usam um Deus cruel como justificativa para suas crueldades. Percebemos com isso que não é a variável “acreditar em Deus ou não” que interfere no caráter da pessoa, mas é alguma variável que nos foge ao assunto principal deste texto.

Argumento da justiça: Outra variação da argumentação moralista é a que impõe existência de Deus como necessidade para trazer a justiça ao mundo. Esse não é um tipo de argumento intelectual, mas que procura apenas atender a uma necessidade de conforto pessoal. As pessoas esperam que Deus lhes dê uma sensação de segurança frente a um mundo contingente. Realmente seria muito bom se tivesse um grande vigilante cuidando de nós, mas entre o que queremos que exista e o que de fato existe há uma grande distância.
Outro argumento não citado por Russel, mas que acho bom levar em consideração é o argumento panteísta: defende-se que Deus não é um ser individual e isolado, governando o Universo. Ele seria o próprio Universo, o Todo, estando em todas as coisas, da natureza ao íntimo do ser humano.  Como refutação, cito um trecho de um poema de Fernando Pessoa, sob o pseudônimo de Alberto Caeiro, chamado “Há metafísica demais não pensar em nada”.

“Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.”

Com simplicidade Fernando Pessoa consegue nos mostrar que se Deus está presente em todo o Universo, se cada partícula, cada átomo e se cada ser humano é Deus, não faz sentido o chamarmos de Deus. Pois se ele existe em tudo, não havendo nada em que ele não exista, não faz sentido o separarmos do todo para adorá-lo. Faz mais sentido que se adore o todo simplesmente por ele ser o todo, por ser em si mesmo ser algo incrível, sem a necessidade de fantasiarmos de maneiras mirabolantes. Um ateísta não precisa ter uma crença religiosa para adorar este Deus e merecer todas as recompensas prometidas.
Como disse certa vez Carl Sagan: “A idéia de que Deus é um gigante barbudo de pele branca sentado no céu é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que regem o Universo, então claramente existe um Deus. Só que Ele é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!”

Mas então, Deus existe?
Os deuses existem. Estão tão próximos que não dá para dizer o que somos nós ou o que são eles. Não falo agora de um panteísmo nem de um deus pessoal, mas sim de deuses como estados de consciência. Deuses são os arquétipos da consciência humana, interpretados de forma particular em cada cultura. Carl Gustav Jung se debruçou sobre esse estudo e formulou a teoria dos arquétipos. Joseph Campbell também estudou a mitologia e descobriu pontos em comuns compartilhados por todas as histórias de deuses e heróis. O estudo da Cabala Hermética também nos deixa muito próximo deste conhecimento.
Essas grandes idéias que chamamos de arquétipos não possuem forma pré-definida, mas são tendências invisíveis atrás dos símbolos presentes no inconsciente coletivo da humanidade. Deuses que habitam dentro de nós, deuses que sempre foram nós mesmos. Ao que tudo indica, não há nenhum Deus físico com super-poderes por aí. Mas não podemos afirmar o mesmo no plano mental. Richard Dawkins teve um estudo muito interessante sobre essa questão, chamado de memética.
As imagens divinas das religiões são representações simbólicas para entrarmos em contato com os arquétipos, mas não devem ser levadas ao pé da letra. Por exemplo, Não se espera que realmente exista um Thor descendo por uma ponte de arco-íris disparando raios por um martelo. Deuses não existem materialmente, são apenas personificações de grandes idéias. Idéias que podemos entrar em contato. 

Alan Moore pontua assim sobre essa questão: “(…) E o Monoteísmo é, pra mim, uma grande simplificação. Eu quero dizer, a Cabala tem uma grande variedade de deuses, mas acima da escala, da Árvore da Vida, há uma esfera que é o Deus Absoluto, a Mônada. Algo que é indivisível, você sabe. E todos os outros deuses, e, de fato, tudo mais no universo é um tipo de emanação daquele Deus. E isto está bem. Mas, quando você sugere que lá está somente esse único Deus, a uma altura inalcançável acima da humanidade, e que não há nada no meio, você está limitando e simplificando o assunto.
Eu tendo a pensar no Paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de idéias, enquanto o Monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, que quem a emite nem sequer a entende.”
Independente de como se posicione, todas as opiniões são válidas. Todas as crenças devem ser respeitadas quando elas estão também respeitando os direitos humanos. Acreditar ou não em Deus não interfere na possibilidade de perceber quão maravilho é o Universo, e como cada oportunidade é única para fazer o melhor.

Texto orginal: Aqui

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