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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Menu Contos: O Filho do Fim e a Borboleta. (parte 01)

O FILHO DO FIM E A BORBOLETA (Parte 01)



Uma chama púrpura crepitava na lareira enquanto pequenas chamas douradas queimavam as velas dos candelabros do Templo do Saber, um lugar perdido entre os planos e cuja existência fora propositalmente apagada da lembrança dos viventes. 

Aqueles que habitavam o esfíngico lugar não eram conhecedores da existência uns dos outros uma vez que de suas alcovas eram prisioneiros, porém sequer disso eles sabiam, afinal parte de sua consciência também fora obliterada e assim viviam como se aquele fosse o único mundo possível dentre os tantos universos ilusórios que a eles se apresentavam nas páginas dos tomos que as estantes do templo sustentavam. 

A construção era labiríntica e fazia tanto sentido quanto o conteúdo de seus tesouros poderia fazer. Pedras emolduradas eram as únicas companhias de um de seus habitantes. Uma criatura capaz de se metamorfosear como bem quisesse apesar de não saber como ou porque o fazia. Ela simplesmente o fazia por diversão talvez, ou para se livrar do passar tedioso das horas, minutos e segundos. Sabia o conteúdo de cada página contida em sua magnífica cela e começara a prestar atenção nos sons que vinham do outro lado da porta que em sua alcova havia. 

Naquele dia um som diferente lhe chamou a atenção. Batidas compassadas ecoavam tornando-se cada vez mais altas. Passos. Eram ecos de passos que se aproximavam e aquilo a assustou, jamais ouvira passos de qualquer outro como ela, pensava que era única e via que não era. A porta se escancarou apagando as velas e deixando apenas o cheiro de fumaça misturado ao de pergaminhos no ar. 

Dentre todas as criaturas que perambulam pela existência nenhuma jamais seria tão imprevisível quanto aquele invasor que nem mesmo uma divindade poderia desvendar. 
Um sujeito que mais parecia uma daquelas criaturas de papel contida em tantos daqueles tomos, não... Ela pensou melhor o observando das sombras e chegou a conclusão de que na verdade ele lembrava muito as estatuas que guardavam a porta, dada sua pele marmórea e também a perfeição com que seus traços haviam sido esculpidos. Seria ele uma delas que tomara vida? A criatura que habitava a alcova se perguntou, deparando-se com outras questões sobre o exterior.

— Não. — veio a resposta em alto e bom som junto a um sorriso torto que se emoldurou no rosto do invasor. Ele sabia que não estava sozinho e com apenas um gesto de sua mão acendeu as chamas do lugar novamente enquanto seus olhos refletiam a chama púrpura que queimava na lareira. — Não vais nem ao menos tentar sair? — ele indagou com certa curiosidade em sua voz e nenhuma resposta se manifestou. — A porta está aberta, borboleta. Pode ser que o vento la fora arranque suas preciosas asas que a meu ver são pavorosas, não há barulho que eu destete mais do que o bater delas, isso sem mencionar a fascinação de tais criaturas com a luz cegante, no entanto não pensas que o vislumbre que podes ter talvez valha o risco que vais correr? — persistiu o homem alinhado que caminhava pelo lugar deslizando os dedos pelos tomos até parar no centro jogando com desdém o livro para trás como se já soubesse de tudo o que seus olhos viam. 

— Há certa impaciência em sua arrogância. — respondeu uma voz alucinógena seguida de um riso hipnotizante que reverberou pela alcova.

— Se preferes continuar prisioneira das crenças que em sua mente foram plantadas o problema é somente seu. Como podes verificar não sou nenhum cavaleiro branco que veio em teu socorro. Não vejo no amor todo o altruísmo que a humanidade é capaz de enxergar, contudo ainda assim sou um profundo admirador de todos os prazeres que o carnal é capaz de proporcionar. — replicou o sujeito olhando de soslaio para o canto em que a escuridão se manifestava de forma ampliada e viu uma luz azulada se projetando para fora do breu. Uma borboleta azulada se transmutava em uma bela jovem.

Continua... 

Ilusionista

Arte: kidy_kat

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