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quinta-feira, 23 de julho de 2015

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MAGIA DO CAOS

Do ótimo blog: Teoria da Conspiração

Qual é o melhor livro de Magia do Caos para iniciantes? Essa é provavelmente uma das perguntas mais frequentes que me fazem. Os primeiros livros de Peter Carroll ainda possuem influência forte da magia cerimonial tradicional, enquanto seus livros mais recentes (com a possível exceção de Epoch) estão repletos de fórmulas matemáticas e explicações de física para serem plenamente compreendidos por todos. Sendo assim, eu costumo recomendar “Understanding Chaos Magic” de Jaq D Hawkins, especialmente por conter uma história da Magia do Caos e explicações acessíveis sobre a Teoria do Caos. Esse é um dos livros mais populares de MC na Alemanha.

A partir de alguns conceitos apresentados nesse livro, irei delinear algumas ideias gerais do que seria o caoísmo na magia. Essa não é uma tarefa fácil, já que esse sistema de magia moderna (metassistema, ou “atitude” em relação à magia) está constantemente se transformando e com certeza não é mais o mesmo que era na década de 70. Porém, saber o que estava ocorrendo no cenário do ocultismo, na ciência e na arte algumas décadas atrás nos dará boas pistas dos motivos de algo como a MC ter surgido, alguns de seus objetivos e importância.
Jaq D Hawkins pediu para Kenneth Grant, que guardou muitos dos escritos de Austin Osman Spare, responder a uma série de perguntas sobre seu velho amigo, o que resultou numa história detalhada e exclusiva sobre o autor. A própria palavra “Caos” é primeiramente associada com AOS, e a IOT seria posteriormente considerada por Carroll como a herdeira mágica do Zos Kia Cultus (Ordem espiritual desenvolvida por Spare). A obra SSOTBME de Ramsey Dukes e os escritos de AOS influenciariam os magistas que formariam a IOT.

O objetivo inicial dessa nova Ordem seria diminuir a estrutura hierárquica e colocar um enfoque em magia criativa e novas abordagens mágicas. Contudo, alguns problemas gerados por essa nova hierarquia persistiram, o que gerou a saída de alguns magistas, como Ray Sherwin. Parte da IOT germânica separou-se para formar a RIOT (Renegade Illuminates of Thanateros). Ainda assim, foi uma proposta ousada em relação à estrutura mais rígida de outros grupos, o que fez com que a Ordem se espalhasse até mesmo para o Oriente. Um dos exemplos é a seção japonesa da IOT (um dos ex-membros mais conhecidos é Kurono Shinobu, com livros de MC publicados e que hoje faz parte do grupo Kaos Knights).

E enquanto a IOT surgia, Mandelbrot desenvolvia a matemática do caos. Posteriormente Peter Carroll faria a conexão. Como disse Charlie Brewster em seu livro Liber Cyber, o fato de a Magia do Caos e a matemática do caos terem surgido mais ou menos na mesma época seria mais uma das notáveis “coincidências” que permeiam o meio do ocultismo. Porém, as sincronicidades não acabam por aí.

O caoísmo nasceu pouco após a Geração Beat, que foi marcada por um grupo de autores influenciados pela desilusão gerada pelo período pós Segunda Guerra Mundial. Foi uma época em que o mundo estava fortemente caótico e os artistas desejavam expressar essa aparente ausência de sentido na arte. Um dos nomes mais notáveis foi William S. Burroughs (ele mesmo um membro da IOT) com seu livro “The Third Mind” e com sua técnica de cut-ups, cortes de textos aleatórios, também utilizada por poetas como Tristan Tzara e Arthur Rimbaud.

CaosferaOutro escritor importante a desenvolver ideias sobre o caos na literatura foi Michael Moorcock, tido como o criador do Símbolo do Caos, a caosfera (embora a origem remota desse símbolo seja alguns séculos mais antiga. Essa origem é debatida nos livros de Anton Channing). Moorcock criou os Deuses do Caos e o conceito do Campeão Eterno. O Caos era descrito em sua série “Elric of Melniboné” como essencial para manter o Equilíbrio Cósmico, juntamente com as forças da Lei. Desnecessário dizer que muitos caoístas da década de 80 eram leitores ávidos de Moorcock e era comum haver a evocação dos Deuses criados por ele em trabalhos de MC. Eu comprei o primeiro livro da série no ano passado e tirei uma foto do símbolo, que deixo aqui para referência.

E no que consiste a ciência do caos? Ela influenciou áreas como a matemática, física, química, biologia e meteorologia. Ela estuda as conexões entre as irregularidades. Edward Lorenz foi um meteorologista que notou o fenômeno da dependência sensível às condições iniciais. Isso significa que por mais que se possa prever com alguma precisão como o tempo será amanhã (considerando as causas centrais), quando se trata de prever o tempo daqui a, digamos, muitas semanas ou meses, a imprevisão aumenta cada vez mais (pois há muitos fatores menores que, com o passar do tempo, acabam se acumulando e interferem no fenômeno central). Esse é o Efeito Borboleta.

Mandelbrot reconheceu que as montanhas não são cones, de forma que não bastava utilizar a geometria euclidiana e simplificar usando uma forma platônica ideal para resolver o problema. Padrões caóticos seriam a ordem da natureza. Batidas regulares no coração humano levariam à morte. O sistema circulatório segue o modelo da geometria fractal, operando entre o periódico e o aperiódico.

Os sistemas caóticos seguiriam apenas uma desordem aparente. Conforme diz Hawkins, o caos não seria tão aleatório como aparenta, mas uma sutil forma de ordem. Porém, é ainda mais complexo que isso. Existe o conceito de Caos Determinístico, o qual supõe que nem todo o efeito está completamente contido na causa, podendo interagir com outros efeitos, havendo portanto uma simultaneidade de processos. Algumas dessas ideias são debatidas pelos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari em “Mil Platôs”.

Para saber mais sobre a Teoria do Caos, praticamente todos os caoístas que conheço recomendam sempre o mesmo livro: “Chaos: Making a New Science”, de James Gleick. E para se aprofundar mais na história da Magia do Caos eu recomendo o clássico “Book of Lies: The Disinformation Guide to Magick and the Occult”. Eu fiz resenhas no meu blog de praticamente todos os livros citados nessa postagem.

Para finalizar, gostaria de deixar alguns trechos relevantes do livro da Hawkins, que resumem a ideia da importância da criatividade na magia:

Tem havido um enorme crescimento no número de pessoas que tentam imitar os métodos de Spare, e ainda assim eles perdem o ponto de sua mensagem principal de que devemos cada um de nós desenvolver nossos próprios métodos de magia, ou seremos meramente imitadores

Não há um conjunto de feitiços específicos que são considerados ‘feitiços de Magia do Caos’, embora exista um número de ‘trabalhos mágicos’ e métodos de feitiços que se tornaram comumente praticados por indivíduos e em alguns grupos de Magia do Caos. Isso é simplesmente uma questão de escolha feita por essas pessoas que optaram por se tornar membros desses grupos

Tocar os limites mais profundos da imaginação e trazer as forças criativas do caos primordial não formado para seu trabalho mágico é a mais sincera de todas as magias

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