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sexta-feira, 8 de maio de 2015

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INVOCANDO OS DEUSES

Geralmente, o estudo da mitologia é considerado como inexpressivo devido à crença de que mitos são formas rudimentares de produzir conhecimento e que não são necessários em nossa vida moderna. O que é um erro, pois o estudo dos atributos das divindades fornece as bases para o estudo da própria consciência humana.
Os mitos se expressam através de símbolos e metáforas representando temas abstratos, que muitas vezes não conseguimos traduzir perfeitamente em palavras. Antigamente transmitidos por poetas e sacerdotes, hoje o papel da produção dos mitos pertence aos escritores que recriam o sentido da vida em contos modernos.
O ritual é sua aplicação prática. Durante o ritual, o mago encena um mito, vivenciando sua essência para alcançar um determinado objetivo. Os deuses são os arquétipos da consciência humana, interpretados de forma particular em cada cultura. Na mitologia nórdica, por exemplo, o aspecto bélico era mais valorizado, enquanto na helênica havia enfoque no aspecto de beleza.
A mitologia nórdica está centrada no eterno conflito entre forças opostas, representadas pelo gelo e fogo. Diferente das culturas favorecidas por climas amenos e colheitas fartas, os mitos nórdicos refletem a natureza das montanhas, geleiras e vulcões, locais de difícil sobrevivência, representados por gigantes e monstros ameaçadores.
O Ragnarök representa a jornada cíclica do tempo, onde deve haver o fim do velho para o início do novo. Valhala reflete a mensagem de que é mais importante ter coragem e bravura para enfrentar os desafios do que vencer o inimigo em si.

Os locais de culto, ao contrário dos templos romanos, eram simples e rústicos. As divindades eram associadas às forças da natureza, sendo atribuídos personalidades e comportamentos que explicassem metaforicamente os acontecimentos do mundo. Os deuses eram vistos como mestres e companheiros, a quem se podia apelar em momentos de necessidade.
Entrando em contato com Deuses
Existem grandes idéias chamadas arquétipos, sem forma, apenas como tendências invisíveis atrás dos símbolos presentes no inconsciente coletivo da humanidade. Há por exemplo, a imagem da Grande Mãe, conhecida pelos católicos como Maria, pelos andinos de Pacha Mamma, pelos wiccanos de Deusa. Mesmo que neguemos, essas imagens não deixam de se fazer presentes em nós.
As imagens divinas são as representações simbólicas para entrarmos em contato com os arquétipos, mas não devem ser levadas ao pé da letra. Por exemplo, se alguém estiver passando por um momento de dificuldade, se sentindo sem ânimo para superar um desafio, este sujeito pode invocar Thor, que concede a coragem e a força para enfrentar e superar empecilhos.
Aquele que precisa de inspiração, que lida com palavras, escritas ou faladas, necessitando de eloqüência e criatividade pode evocar Odin. Odin é o arquétipo da Sabedoria, pois não nasceu onisciente, mas através do sacrifício pessoal adquiriu conhecimento e se tornou o Pai Universal, o xamã ancestral, guiador das almas merecedoras. Para alcançar a sabedoria teve que perder um de seus olhos, passar nove dias enforcado na Iggdrasil se autoimolando, para então deixar de ser aprendiz e possuir o poder da magia.
Mas é preciso compreender que não estou afirmando a existência real de um Thor, segurando um martelo em Asgard e disparando trovões contra gigantes de gelo. Deuses não existem materialmente, são apenas personificações de grandes idéias.
Os antigos guerreiros Bersecks eram treinados em práticas de guerra e xamãnicas para que durante as batalhas se sentissem possuídos pelos deuses. Isso fazia com que eles lutassem nus ou usando apenas peles de animais, destruindo uma série de inimigos que estivessem pelo caminho e não sendo feridos por nenhuma arma.

Antes de querer invocar um arquétipo é necessário conhecê-lo bem. Por isso estude em livros tudo que você puder. Quanto maior o estudo, maior a possibilidade de sucesso. Para as primeiras invocações são sugeridos arquétipos benignos. Ninguém está apto a enfrentar um “demônio interior” no primeiro dia.
Como irá saber que deu certo? Racionalmente, tudo parecerá incompreensível, mas ainda assim você terá certeza que deu certo. Você ouvirá uma voz distinta dentro de sua mente, tão estranha que nem parecerá você. Você pode se comunicar, se sentindo surpreso por perceber que as perguntas que você faz receberão respostas tão originais que parecerão nem vir da sua mente. No entanto, tudo estará ocorrendo lá dentro. Cuidado apenas para não cair no auto enganamento. Seja sincero consigo mesmo, falhas podem existir. Somente com tempo e prática você conseguirá diferenciar clareza os sucessos dos fracassos.
Deuses são estados normais de consciência disponíveis para todos, e não apenas processos psicológicos internos, existindo em toda a humanidade, desde tempos imemoriáveis e deverão existir ainda por um bom tempo. As pessoas tendem a ficar possuídas pelos deuses mesmo não reconhecendo como tal.  Um homem pode ser dominado por sentimento de justiça (Tyr), paixão (Freya) ou sentir-se deprimido (Hel). No cotidiano vivenciamos estas características, só não usamos a palavra deus para descrevê-las. Separar de nosso Eu e os nomear é uma forma de estudar e entendê-los.
Neste texto foi privilegiada a mitologia nórdica, mas pode ser feito o mesmo com o panteão que você tiver mais finalidade. Os heróis modernos são tão mitológicos quanto os antigos, podendo, portanto, serem utilizados personagens de quadrinhos ou de desenhos. Cosplay faz tanto sucesso, não?

Referências
Pop Magic. Grant Morrison
Ragnarök: o crepúsculo dos deuses. Mirella Faur

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