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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Menu Mitologia Grega: Cadmo

CADMO


Cadmo (em grego clássico: Κάδμος; transl.: Kádmos), na mitologia grega, foi um herói lendário, fundador da cidade grega de Tebas e introdutor do alfabeto fenício na Grécia. Era filho do rei Agenor de Tiro e irmão mais velho de Europa, Cílix e Phoenix.

Cadmo, Europa, Phoenix e Cilix eram filhos de Agenor, Rei de Tiro. Certo dia enquanto Europa brincava na praia ela viu um belo touro branco misturado à manada de seu pai. Apaixonada pelos animais, Europa foi admirá-lo quando o touro convidou-a a subir em suas costas. Na verdade o touro era Zeus, que tinha se disfarçado para raptá-la. Esse fato viria a interferir no destino de toda família.

Agenor ordenou que seus filhos Cadmo, Phoenix e Cilix procurassem pela irmã e não voltassem sem ela. Não encontrando a irmã, cada um fundou um reino: Phoenix fundou a Fenícia - o atual Líbano, Cilix fundou a Cilícia e Cadmo chegou em Delfos, onde o oráculo disse que, assim que saisse do santuário, encontraria uma vaca que ele deveria seguir e fundar uma cidade onde ela parasse. 

Ao sair do santuário ele encontrou uma vaca e a seguiu por um longo caminho. Quando a vaca se deitou para repousar, Cadmo percebeu que ali seria o local de sua cidade que se chamaria Tebas. Cadmo decidiu sacrificar a vaca em homenagem aos deuses, mas precisando de água mandou que seus ajudantes fossem até uma fonte. Entretanto, quando os ajudantes chegaram na fonte foram atacados e engolidos por uma grande serpente. 

Quando Cadmo veio a procura de seus ajudantes encontrou apenas o monstro saciado e, mesmo sozinho, matou a serpente. Aconselhado por Athena, ele semeou os dentes do animal no solo de onde saiu um grupo de guerreiros armados com espadas e lanças. Cadmo lançou uma pedra no meio deles e assim os guerreiros atacaram uns aos outros. Restando apenas cinco, os espartanos se juntaram a Cadmo e fundaram as cinco grandes famílias de Tebas. 

Cadmo ensinou o alfabeto aos gregos e Tebas tornou-se rica e poderosa. Casou-se com Harmonia, filha de Afrodite e Ares, e teve os filhos: Autonôe, Polidoro, Ino, Sêmele e Agave. Anos depois, quando os deuses descobriram que ele havia matado a serpente consagrada a Ares, os deuses amaldiçoaram Cadmo, sua esposa e toda a sua descendência. Por isso, a vida de seus filhos, netos e todos os que vieram depois foram marcadas por tragédias.  

Sua filha Autônoe casou-se com Aristeu e foram os pais de Acteão. Já crescido, quando Acteão estava a caçar na floresta deparou-se com Artemis e as suas ninfas banhando-se num lago. Famosa por sua castidade, Artemis ficou indignada e transformou Acteão em um cervo que foi devorado por seus próprios cães de caça.

Seu filho Polidoro casou-se com Nicteia e quando ele faleceu, seu filho Lábdaco sucedeu-o e foi o pai de Laio. No trono de Tebas, Laio casou-se com a bela Jocasta e seu reino se tornou um dos mais prósperos da Grécia. Quando Jocasta anunciou a chegada do herdeiro, Laio teve o terrível presságio: " O filho matará o próprio pai e se tornará o soberano casando-se com a mãe; isto será a ruína de Tebas". Por isso Laio abandonou o filho em uma montanha logo que ele nasceu.

Mas o Destino já decidira que a criança não morreria e que as palavras do Oráculo se cumpririam. Um pastor caminhava pelo bosque e ouviu o choro do pequeno. Compadecido, levou a criança para Corinto, entregando-o ao Rei Pólibo e sua esposa Mérope que não podiam conceber um filho. Tomados de felicidade, deram-lhe o nome de Édipo, cujo nome significa "O de pés inchados". 

Quando cresceu, Édipo quis saber quem eram seus verdadeiros pais. A caminho de Tebas, sem saber matou seu pai Laio numa estrada. Chegando em Tebas, sem saber que Jocasta era sua mãe, Édipo casou-se com ela. Édipo teve um triste destino assim como seus filhos Ismenia, Antígona, Etéocles e Polinice. Envergonhada, Jocasta se matou. Édipo furou os próprios olhos e renunciou ao trono. Cego, ele foi guiado por sua filha Antígona até chegar em um bosque onde penetrou numa caverna indo para a eternidade. 

Os irmãos Etéocles e Polinice entraram numa acirrada disputa pelo trono e numa sangrenta luta ambos morreram. Ismenia foi morta pelo guerreiro Tideu e Antígona, a mais bondosa filha de Édipo, foi cruelmente enterrada viva quando insistiu em dar um funeral dígno a Polinice. O filho de Polinice foi morto quando chegou em Tebas para reclamar o corpo de seu pai. 

Outra filha de Cadmo era Ino que casou-se com Atamante e teve dois filhos: Learco e Melicertes. Atamante tinha abandonado a esposa e filhos para ficar com Ino, mas por não suportar os filhos de Atamante com a ex-esposa ela tramou um plano cruel. Na época da semeadura, ela molhou o trigo provocando fracasso na colheita. Atamante mandou mensageiros ao Oráculo de Delfos, mas Ino havia instruído os mensageiros a dizer que Frixo deveria ser sacrificado a Zeus. 

Sabendo dos planos de Ino, Néfele que tinha recebido dos deuses um carneiro voador com o velo ou lã de ouro, mandou que o carneiro voasse para longe levando seus filhos. Porém Hele caiu no mar e, pela ira dos deuses, Atamante enlouqueceu. Acometido de súbita fúria, Atamante lançou seu filho Learco pela janela do palácio. Tomada de pavor, Ino se precipitou de um rochedo com o outro filho Melicerte.

Sêmele, uma das filhas de Cadmo, foi seduzida por Zeus e teve o filho Dioniso, o deus do vinho. Enciumada, Hera - a esposa de Zeus, sugeriu a Sêmele que pedisse a Zeus mostrar-lhe todo o seu esplendor. Como Zeus tinha prometido jamais recusar-lhe um pedido, ele se revelou como um relâmpago e Sêmele foi fulminada. Zeus retirou a criança do útero de Sêmele e a implantou em sua própria coxa. Assim nasceu Dionísio que foi rejeitado por Cadmo e sua família por não acreditar que ele fosse um deus, por isso sua tia o entregou para ser criado por Sileno. 

A última filha Agave tinha se casado com Equion, um dos guerreiros nascido dos dentes da serpente. Eles eram os pais de Penteu que herdou o trono de Cadmo em sua velhice. Já crescido Dionísio retornou a Tebas com suas Bacantes, onde Penteu proibia o culto ao deus. Alucinadas as mulheres de Tebas, inclusive Agave, acompanharam as Bacantes. Em êxtase elas atacaram Penteu e o despedaçaram. Ainda em estado de êxtase Agave retornou à sua casa carregando a cabeça de seu filho Penteu acreditando que fosse a cabeça de um leão da montanha que havia caçado. Ao perceber a expressão de horror de Cadmo, lentamente Agave percebeu a tragédia consumada e enlouqueceu.

Cadmo e Harmonia não esqueciam o infortúnio de sua família. Atormentado pela lembrança dolorosa que não o abandonava, Cadmo descontrolou-se. Voltando os olhos para o céu exclamou inconformado: “Se a vida de uma serpente é tão cara aos deuses, eu preferia ser uma serpente!”. Imediatamente eles foram transformados em serpentes, porém a maldição dos deuses pesou sobre todos os seus descendentes.

O mito de Cadmo faz parte das tragédias gregas que, apesar de parecerem cruéis, não são muito diferentes dos acontecimentos da atualidade. A história do homem em todas as suas nuances, sua grandeza, seu heroísmo e covardia, suas virtudes e vícios, parecem ter permanecido intactos. O espírito humano, apesar das inovações tecnológicas, continua a agir nos mesmos moldes como nos contam os grandes clássicos da literatura. 

Dentre muitos acontecimentos, uma oportunidade de emprego perdida, um amor que não se realiza, um negócio que não se concretiza, tudo pode despertar sentimento de fracasso. É inevitável que pensemos que certas coisas só acontecem com a gente e que nem percebamos que frustrações, decepções e revolta pelos acontecimentos que nos sucedem, fazem parte da natureza humana e acontece com todo mundo. No entanto, o que pode faz a diferença é o modo como iremos trabalhar isso. 


Tragédias acontecem todos os dias e se o mundo parasse para escutar o pranto dos sofridos, viveríamos num mar de lágrimas. O mundo não pára diante das nossas tragédias pessoais e, se resolvermos sentar no meio fio da avenida e chorar copiosamente, estaremos simultaneamente abrindo caminho somente para duas possibilidades: a autocomiseração - a pena de si mesmo - e despertar pena nos outros. 


Quando permitimos que a autocomiseração se instale, encontramos a oportunidade para querer lastimar tudo o que consideramos como fracassos e frustrações de nossa vida. Daí fazemos um retrocesso desde o dia que nascemos e vamos tecendo um rosário de lamentações. Apesar de distantes no passado, começamos a reconstituir até mesmo os mais insignificantes fatos para justificar nossa atual atitude. Semelhante às cenas de infância, dramatizamos para que alguém venha com a prazeirosa sentença: - "Tadinho de você... machucou?". É assim que surge um "Coitado". 


Coitados desejam despertar a compaixão dos outros, que pode até confortar naquele momento. Porém engana-se quem acha que através de sua condição premeditada pode fazer com que o mundo inteiro sinta peninha de si: a vida não passa a mão na cabeça de ninguém, a vida espera que cresçamos apesar de todos os acontecimentos que ela encerra. E só podemos crescer quando abandonamos a ideia dessa condição degradante, que nos limita, nos aprisiona e nos impede de viver em liberdade e plenitude. 


Mesmo que tudo esteja dando errado, não é a autocomiseração que fará dar certo. É justo chorar, desabafar e colocar pra fora as nossas frustrações, mas que nossas lágrimas possam nos revigorar e não nos destruir. Quem faz sempre as mesmas coisas, não pode esperar resultados diferentes. Se tudo está dando errado, mude a postura. As circunstâncias mudam a todo momento, basta saber percebê-las. Os mitos são histórias comuns, contadas de modo esplêndido, para que possamos reconhecer a beleza que a história humana pode conter.

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