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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Menu Mitologia: Vampiros na Babilônia e Asiria.

VAMPIROS NA BABILONIA E ASIRIA 

Os escritos da antiga Mesopotâmia (as terras entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, hoje Iraque) foram descobertos e traduzidos durante o século 19. Indicavam o desenvolvimento de uma mitologia elaborada e um universo habitado por uma legião de divindades de maior ou menor expressão. Desse vasto panteão dedicado aos deuses, o equivalente mais próximo do vampiro na mitologia antiga Mesopotâmia foram os sete espíritos malignos descritos num poema citado por R. Campbell Thompson, que começa com a linha, "Sete eles são! Sete eles são!"

Espíritos que diminuem o céu e a terra,
Que diminuem a terra
Espíritos que diminuem a terra, 
Com força gigantesca,
Com força gigantesca e gigantesco pisar, 
Demônios (como touros bravos, grandes fantasmas),
Fantasmas que invadem todas as casas,
Demônios que não tem vergonha, 
Sete eles são!
Sem nenhum cuidado, pulverizam a terra como milho;
Sem perdão, investem contra a humanidade, 
Vertem seu sangue como a chuva,
Devorando sua carne (e) sugando suas veias
São demônios repletos de violência, devorando sangue sem cessar

Montague Summers sugeriu que os vampiros tinham um lugar proeminente na mitologia da Mesopotâmia, além das crençasnos sete espíritos. Mencionou, em particular, o "ekimmu", o espírito de uma pessoa não-sepultada. Baseou seu caso no exame da literatura concernente ao Netherworld (Mundo Inferior), a casa dos mortos.
O Netherworld era retratado como um local um tanto lúgubre. Todavia, a vida de um indivíduo poderia ser melhorada consideravelmente se ao fim de sua existência terrena recebesse um sepultamento adequado e simples que incluísse o cuidado afetuoso com o cadáver. Ao final da lâmina 12 do famoso épico de Gilhamesh, havia uma relação dos vários graus de conforto para os mortos. Terminava com várias parelhas de versos relativos ao estado da pessoa que morreu só e sem sepultamento, que Summers citou como sendo:

O homem cujo corpo jaz no deserto
Vós e eu já vimos um assim
Seu espírito não jaz na terra;
Seu espírito não tem alguém que dele cuide
Vós e eu já vimos um assim 
Os sedimentos da vasilha - as sobras do festim, 
E o que é jogado na rua é seu

verso-chave nessa passagem é "Seu espírito não jaz na terra", que Summers interpretou dizendo que os espíritos dos que morreram sós (isto é, ekimmu) não poderia entrar para o Netherworld e assim eram condenados a vagar pela Terra. Ligou, então essa passagem a outras relativas ao exorcismo de fantasmas e citou em detalhe vários textos que enumeravam os diversos fantasmas que tinham sido vistos. Todavia, os fantasmas eram variados, como diz um dos textos:

O espírito maligno, o demônio maligno, o fantasma maligno, o demônio maligno
Da Terra vieram eles;
Do submundo ao mundo dos vivos vieram eles;
No céu são desconhecidos
Na Terra são incompreendidos
Não ficam em pé e não se sentam,
Não comem nem bebem

Parece que Summers confundiu a questão dos que retornam após a morte e que poderiam se transformar em vampiros com os fantasmas de mortos que simplesmente voltariam para assombrar o mundo dos vivos. Os fantasmas eram simplesmente incorpóreos - não comiam nem bebiam -, ao passo que os mortos do submundo tinham uma forma de existência corporal e se deleitavam com alguns prazeres. A fonte dessa confusão foi a tradução das ultimas partes do épico de Gigalmesh. O verso "O espírito não jaz na terra" foi originalmente traduzido de maneira a deixar aberta a possibilidade de os mortos vagarem no mundo dos vivos. Todavia, traduções mais recentes e uma pesquisa no contexto dos dois últimos versos do épico de Gilgamesh deixam claro que os mortos que morreram no deserto sem cuidados (o ekimmu) vagaram sem descanso não na Terra, mas através do Netherworld. A tradução de David Ferry, por exemplo, proporcionou a seguinte interpretação:

E ele, cujo cadáver foi atirado sem sepultura?
Ele vaga sem descanso pelo mundo lá embaixo
Aquele que vai para o Netherworld sem deixar para trás quem possa velar por ele?
Lixo ele come no Netherworld.
Nenhum cachorro comeria o que ele precisa comer.

Portanto, embora a ideia de vampiros existisse de fato na Mesopotâmia, não era tão óbvia quanto nos indica Summers. Todavia, Summers não deve ser castigado em demasia pelo seu erro, porque mesmo o eminente estudioso E. A. Wallis Budge cometeu erro semelhante em seu breve comentário sobre a lâmina 12, em 1920:

"Os últimos versos da lâmina parecem dizer que o espírito do homem não-enterrado repousa igualmente na Terra e que o espírito do homem sem amigos vaga pelas ruas comendo restos de comida despejadas da panela". 

Todavia, nem Budge nem E. Campbell Thompson, que Summers cita diretamente, cometeram o erro de empurrar os textos na direção da interpretação de vampirismo.

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