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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Menu Alquimia: O Mecanismo da Projeção e a Alquimia Psicológica

O MECANISMO DA PROJEÇÃO E A ALQUIMIA PSICOLÓGICA



Estudantes de psicologia estão acostumados com os chamados “testes projetivos”, mas quase todo mundo conhece o famoso teste de Rorschach. Estes testes funcionam através do mecanismo psicológico da projeção, termo criado por Freud para descrever uma “operação pela qual o sujeito expulsa de si e localiza no outro – pessoa ou coisa – qualidades, sentimentos, desejos e mesmo ‘objetos’ que ele desconhece ou recusa (em si)” (Laplanche & Pontalis, 2001, p. 374).

Ou seja, é mais fácil ver algo, principalmente ruim, no outro, no que em nós mesmos. Sallie Nichols aponta que “povoamos o mundo exterior de feiticeiras e princesas, diabos e heróis do drama sepultado em nossas profundezas” (NICHOLS, 1980, p. 26). Em outras palavras, muito do mito, as fábulas, dos contos de fadas e fantasia são aspectos da própria psique, que acaba ‘escapando’ e pintando o mundo externo.

“Ainda que a abordagem junguiana da projeção se faça sobre uma base psicanalítica, ela adquire um caráter mais abrangente, indicando um “mecanismo psicológico geral” (Jung, [1935] 1996a: 128), no qual determinados conteúdos psíquicos de um sujeito são deslocados e percebidos como se pertencessem a um objeto externo” (FONSECA, 2003, p.30)

Considerando esse mecanismo psíquico, devemos analisar que ele é essencial quando trabalhamos com as imagens e símbolos alquímicos, pois permitem que percebamos aspectos e potencialidades nossas que muitas vezes estão enraizadas e escondidas lá no fundo de nosso inconsciente. E esse é um dos objetivos maiores daqueles que estudam alquimia e psicologia: compreender suas potencialidades latentes, trazendo-as a para consciência.

A alquimia apresenta um extenso compêndio de imagens, símbolos e operações. Nem sempre os alquimistas entram em acordo, mas todas carregam, de forma essencial, os instrumentos necessários para a transformação da realidade. Como aponta Jung: “o alquimista vivenciava sua projeção como uma propriedade da matéria; mas o que vivenciava na realidade era o seu inconsciente” (JUNG, 2009, p.257).



Desta forma, compreendemos que todas as operações alquímicas e seus elementos, dizem respeito ao conteúdo do inconsciente e seu simbolismo. Desta maneira, é impossível não considerar um conceito junguiano chamado de “Participation Mystique”, ou “Participação Mísitca”. Tal conceito refere-se ao instinto humano de conectar fantasias simbólicas na realidade concreta. A vida simbólica precede, ou acompanha toda diferenciação mental e intelectual.

Não há diferenciação entre sujeito e objeto. Culturas totêmicas apresentam esta característica psíquica fortemente atuante, notável em suas concepções de realidade, como por exemplo tempestades como castigos, colheitas como recompensas, ou a integração da personalidade através de animais de poder e afins.



“A participation mystique denota uma peculiar conexão psicológica com objetos, e consiste no fato de que o sujeito não consegue distinguir claramente si-mesmo do objeto, mas é ligado a ele através de uma relação que remonta uma identidade parcial” (JUNG, 198, p.781).

Encerro, portanto, defendendo algo que sempre faço: o Ocultismo, em algum nível, já conhece o que a ciência aos poucos descobre. É impossível considerar toda a teoria psicológica apresentada acima sem levar em consideração o primeiro dos princípios herméticos, o do mentalismo: “O todo é mente; o Universo é Mental.“

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Referências Bibliográficas

FONSECA, Ana Beatriz Frischgesell; AUGRAS, Monique Rose Aimée (orientadora). O simbolismo alquímico na obra de
Jung. Dissertação de Mestrado – Departamento de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio de janeiro, 2003.
JUNG, C. G. Psicologia do Inconsciente. OC VII/1. Petrópolis: Vozes, 1987.
JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. Obras Completas. Vol. XII. Petrópolis. Ed. Vozes. 2009.
LAPLANCHE, J; PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

NICHOLS, Sallie. Jung e o Tarô – Uma Jornada Arquetípica. São Paulo: Cultrix. 1980.

Imagens:

Personagem Rorschach da HQ ‘Watchmen’ criada por Alan Moore e Dave Gibbons
‘The Alchemist’ – Pintura de Sir William Fettes Douglas (1853)
Xamã Siberiano em ritual, foto de Alexander Nikolsky

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

Fonte Original: Aqui

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