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quarta-feira, 8 de julho de 2015

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ALQUIMIA, INDIVIDUAÇÃO E OROBÓROS: Hermes Trismegisto

O que está em cima é como o que está embaixo.
E o que está embaixo é como o que está em cima
– Princípio da Correspondência (O Caibalion)

Esta é a terceira parte da série de sete artigos “Alquimia, Individuação e Ourobóros”, que é melhor compreendida se lida na ordem. Caso queira acompanhar desde o começo, leia as parte 1 e 2.

Hermes Trismegisto

A alquimia é uma ciência antiga, cujos primórdios são incertos, porém encontrados ao longo de muitos anos e civilizações, como uma arte. Os objetivos da realização do trabalho alquímico são, entre outros, transformar metais densos em ouro, e obter o elixir da vida, a pedra filosofal, que garante a vida eterna, através da manipulação da prima matéria.As origens da Alquimia são associadas à figura emblemática de Hermes Trismegisto. Tal entidade, é na verdade resultado de diversos sincretismos ao longo do tempo e, à ela, foi atribuída a autoria dos textos alquímicos e herméticos mais importantes da história, como a “Tábua de Esmeralda” e “Corpus Hermeticum” . Um sincretismo religioso é o processo de absorção da cultura e influência religiosa de um sistema, por outro. Por exemplo, o arquétipo da Deusa Afrodite, é análogo à Vênus romana, cujo culto tem origens a adoração da Deusa fenícia Astarte.Os representantes mais relevantes destes sincretismo são o Deus Egípcio Thoth e o Deus grego Hermes (sendo o equivalente romano, Mercúrio).

“Na realidade, Hermes Trismegisto resultou de um sincretismo com o Mercúrio latino e com o deus egípcio Thoth, o escrivão no julgamento dos mortos no Paraíso de Osíris, e patrono de todas as ciências na Grécia Antiga. […] Hermes Trismegistos é o nome grego dado ao deus egípcio Thoth, considerado o inventor da escrita e de todas as ciências a ela ligadas, inclusive a medicina, a astronomia e a magia. Segundo o historiador Heródoto, já no séc. V A.C. Thoth era identificado e assimilado a Hermes Trismegisto, i.e., ao Três Vezes Poderoso Hermes“ (ROCHA, 2008, 12).

Na mitologia, Thoth é um Deus ligado ao conhecimento, à escrita, ao estudo, medicina, astrologia e todas as artes ocultas. Representa o Logos, a organização e 
estruturação do conhecimento. Mestre e professor, aparece nas lendas como a figura que auxilia os homens e os ensina sobre os conhecimentos do universo.“Thot era o senhor do conhecimento mágico e dos segredos divinos colocados à disposição dos deuses e dos homens. Mais do que qualquer outro deus, Thot era o “senhor do heka” (magia). A magia egípcia pode ser entendida como uma força sem caráter moral determinado, de origem divina, utilizada pelos homens, pelos deuses e pelos mortos para manter a Ordem Criada (Maat) ou para provocar uma intervenção divina nesse mundo ou no Mundo dos Mortos. Assim, entendemos a ligação entre Thot e o conhecimento mágico contido nos textos.” (FACURI, 2013, 30).Para António Fadista Rocha, Hermes Trismegisto é uma complexa divindade, a qual é atribuída diversos atributos. Inicialmente era associado como um deus agrário, protetor de pastores e rebanhos. Na mitologia grega, regia as estradas, e tinha grande velocidade, pois utilizava sandálias com asas. Como conhecia os caminhos, não se perdia nas trevas, e se transformou no mensageiro direto dos deuses, com livre acesso aos níveis inferno, terra e paraíso, alegoricamente associados a estados de consciência.

Hermes é o representante mor das ciências ocultas e esotéricas, pai da alquimia. Aquele que sabe e transmite as sabedorias ocultas. Na literatura Medieval e do Renascimento existem várias referências à Hermes Trismegisto e os escritos herméticos, que foram profundamente estudados por alquimistas e rosa-cruzes.“A astúcia, a inventividade, o poder de tornar-se invisível e de viajar por toda a parte, aliados ao caduceu com o qual conduzia as almas na luz e nas trevas, são os atributos que exaltam a sabedoria de Hermes, principalmente no domínio das ciências ocultas, que se tornarão, na época helenística, as principais qualidades do deus“ (ROCHA, 2008, 07).

A figura de Hermes Trismegisto, como podemos ver é bastante complexa, e como não é nosso principal objetivo realizar um levantamento minucioso desta entidade, o foco agora passa para o símbolo máximo associado a Hermes, o caduceu. O caduceu é representado pela imagem de um bastão, com duas serpentes enroladas ascendendo, cujo topo, tem um par de asas.“Símbolo dos mais antigos, sua imagem já se acha gravada, desde o ano 2.600 a.C., na taça do rei Gudea de Lagash. São várias as formas e múltiplas as interpretações do caduceu. Insígnia principal de Hermes, é um bastão em torno do qual se enrolam, em sentidos inversos, duas serpentes”. Enrolando-se em torno do caduceu, elas simbolizam o equilíbrio das tendências contrárias em torno do eixo do mundo […] A serpente é um símbolo encontrado na Mitologia de todos os povos. Todas as grandes ideias surgidas no início da Civilização foram representadas pela serpente: o Sol, o Universo, Deus, a Eternidade.” (ROCHA, 2008, 13).

Por se tratar de um símbolo muito antigo e importante, a imagem do caduceu apresenta uma série de conhecimentos embutidos e deve ser analisada com cautela. Não cabe a este estudo esgotar a interpretação de seu simbolismo, mas atentar-se àquele relevante as associações do método de ampliação citados no inícios do trabalho.
“Também se pode interpretar o caduceu como sendo o símbolo do falo ereto, com duas serpentes acopladas. Esta interpretação do caduceu é uma das mais antigas representações indo-europeias, sendo encontrado na Índia antiga e moderna, associado a numerosos ritos, bem como na Grécia, onde se tornou a insígnia de Hermes. Espiritualizado, esse falo de Hermes penetra no mundo desconhecido em busca de uma mensagem espiritual de libertação e de cura.“ (ROCHA, 2008, 16).

E mais ainda, segundo Julien (1993), as serpentes presentes do cetro, podem representar o duplo espiral, ligados a evolução perpétua e progressiva, a repetição infinita dos ciclos da vida.
“O percurso podendo se efetuar nos dois sentidos (ascendentes, até as etapas superiores, e descendente, até os estados inferiores), representa a dualidade de forças, opondo-se e se equilibrando, os dois aspectos simbólicos da serpente. Vê-se aqui também o equilíbrio das forças cósmicas realizado por Mercúrio a partir do caos primordial […] O caduceu representa o equilíbrio psicossomático (psico = psiquê; soma = corpo), o das forças vitais e psíquicas e sua evolução a expansão e o equilíbrio, objetivo da medicina. A espiral dupla é o símbolo dos médicos e a serpente única dos farmacêuticos.” (JULIEN, 1993, 75-76)

Essa noção cíclica e de equilíbrio é presente na percepção holística de C. Jung no que diz respeito à compreensão do psiquismo e seus pares de opostos 
complementares. Talvez a melhor frase que ilustra essa concepção é do próprio Jung, que diz “que qualquer árvore que queira tocar os céus precisa ter as raízes tão profundas capazes de tocar os infernos”.
A associação com a figura do Ourobóros é facilmente realizada, na própria imagem acima vemos a serpente que morde a própria cauda contendo a árvore que atinge ambas polaridades. No post seguinte vamos nos aprofundar na arte da alquimia, suas etapas e os paralelos psicológicos com as mesmas.

Referências Bibliográficas:

FACURI, Cintia Pratis. De Thot à Hermes Trismegisto: O Egito Antigo e o Hermetismo Árabe. Disponível em http://www.revistanearco.uerj.br/arquivos/numero10/3.pdf. 14/05/2013
JULIEN, Nadia. Dicionário dos Símbolos. São Paulo. Ed. Rideel. 1989
ROCHA, Antonio Fadista. O Mito e a Realidade. Disponível em: http://www.maconaria.net/portal/index.phpoption=com_content&view=article&id=33. 

Imagens:
Hieróglifo egípcio com o Deus Thoth
“Hygeia” Detalhe de Giuseppe Moretti’s de 1922 em Bronze

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br

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