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sábado, 31 de janeiro de 2015

Menu Alquimia: Sobre o Sol Dragões e Psiquê

SOBRE O SOL, DRAGÕES E A PSIQUÊ


Se você busca a Luz do Sol mas esquece do dragão dormindo na sua caverna, ele certamente acordará para pôr fogo em suas florestas ao menor distúrbio que surja.” – Emerson Luiz

Durante séculos e até os dias de hoje, a Alquimia foi considera como charlatanismo ou ilusão por parte daqueles que desconhecem seu verdadeiro propósito místico. Um dos seus principais adágios, o da transformação do chumbo em ouro, ainda é visto pelos desinformados como algo literal e relativo aos minérios citados, desconhecendo totalmente seu significado simbólico.
Já o hermetismo foi e é responsável, até os dias de hoje, por “esconder aos olhos de todos” os mais diversos símbolos e leis relacionados ao processo de expansão da consciência individual de cada ser. Deter a chave desses símbolos faz com que o indivíduo “ouça” o Universo comunicar-se com ele onde a maioria das pessoas percebe apenas imagens ou ações aleatórias.
Em comum a ambos, além do objetivo prático da transformação de consciência, está o processo de acesso ao seus ensinamentos, que embora aparentem ser simples e fáceis, são cercados de conhecimentos velados apenas a quem passa por um verdadeiro processo de iniciação.
Mas isso tudo já não é um tanto óbvio?
Os conceitos sim, mas e suas aplicações práticas? Quando um alquimista fala em transformar o chumbo do ego no ouro das virtudes, como ele está fazendo isso na prática?
Nos dias atuais, vemos uma boa parte de aspirantes que buscam a iniciação nessas artes milenares debruçados em livros e teorias, mas esquecendo-se daquilo que é mais relevante dentro dessas filosofias: a realização da Grande Obra. Sinuosos são os caminhos de quem busca o autoconhecimento e arriscadas são as curvas repentinas que encontramos, que fazem com que alguns de seus estudantes percam as rédeas da carruagem mesmo sem dar-se conta.
Talvez o maior equívoco de quem busca a Iniciação Verdadeira esteja na sua fixação por uma realidade distante daquela que ele vivencia diariamente. Na crença de que a Grande Obra é composta meramente de ações pomposas e de grande impacto coletivo, esquecem-se que uma das primeiras Leis Herméticas trata da mentalização do Todo, o que nos traz a ideia de que ninguém é senhor de nada sem antes dominar seus próprios pensamentos e, consecutivamente, suas atitudes.
Dominar nossa condição mental significa reconhecer o dragão que habita nossa caverna e deter controle do mesmo, o que está muito distante de ignorá-lo. Ao reconhecer nossas sombras, além de sermos capazes de controla-las, temos também a condição de reconhecer que cada ser humano também é parte trevas assim como nós. Essa condição é totalmente importante para vencer um dos maiores obstáculos de nossa psique: o julgamento e condição de superioridade imposta sobre os que encontram-se em condições adversas as nossas. 
A busca pela elevação de nossa condição existencial não deve dar-se apenas sob o foco de desenvolver nossas virtudes, mas sim, em aprender a equilibra-las com nossas sombras, reconhecendo estas e aprendendo a dosar e controlar suas manifestações, no intuito de agir com clareza e precisão em qualquer situação, independente dela exigir uma ação considerada positiva ou negativa. O Iniciado não é aquele que age sempre de forma benevolente, mas sim, de forma prudente e adequada a cada situação.
Sob esse raciocínio, a atuação precisa e proativa exige do Ser, acima de tudo, um grande domínio e controle sobre seu Ego, a parte mais superficial e reativa do seu Eu que reage primeiramente em qualquer situação, e as vezes é considerada equivocadamente como nossa personalidade pura. Por ser extremamente individualista e soberbo, o ego analisa as situações sob o ponto de vista que melhor nos favoreça, e é sob este domínio que ignoramos ser o outro um semelhante nosso, que também possui suas sombras, mas é igualmente uma partícula do Uno. Ao dominarmos nossas sombras e nosso ego, nos tornamos sensíveis ao domínio desses “adversários” (Shaitan, em Árabe, que também significa “ser hostil”) também em nossos semelhantes, abrindo então espaço para o por em prática nossas verdadeiras virtudes.
Por fim, o exercício deste raciocínio nos reforça a busca incessante do Alquimista pela conversão do Chumbo em Ouro, ou seja, pela conversão de sua ignorância sob o desconhecido à luz do conhecimento. Mais do que o investimento incessante na potencialização das virtudes, a realização da Grande Obra está na harmonia do um com o Todo, até o ponto de retorno a Origem.


Aquele que busca seu destino olhando apenas para o sol, acaba cegando-se pela pureza de seus raios e esquecendo que, por mais belo que o dia seja, a noite nunca tarda em chegar.” – Peterson D.

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